A Argélia, que recebeu parte da família de Muammar Kadafi, deu aos parentes do ex-líder líbio "um passe" para entrar em um país terceiro, informou esta segunda-feira a liderança da rebelião na Líbia.
"A Argélia deu a eles um passe para um país terceiro. Nós não podemos confirmar isto, mas eles disseram tê-los recebido (na Argélia) por razões humanitárias", disse o porta-voz rebelde, Mahmud Shammam.
Shammam contou que os líderes rebeldes não entenderam como alguém poderia "salvar a família de Kadafi" e a queria de volta na Líbia.
"Salvar a família de Kadafi não é um ato que nós saudamos, nem compreendemos", afirmou. "Gostaríamos que essas pessoas voltassem", acrescentou.
Líbia: da guerra entre Kadafi e rebeldes à batalha por Trípoli
Motivados pelos protestos que derrubaram os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em fevereiro para contestar o coronel Muammar Kadafi, no comando desde a revolução de 1969. Rapidamente, no entanto, os protestos evoluíram para uma guerra civil que cindiu a Líbia em batalhas pelo controle de cidades estratégicas de leste a oeste.
A violência dos confrontos gerou reação do Conselho de Segurança da ONU, que, após uma série de medidas simbólicas, aprovou uma polêmica intervenção internacional, atualmente liderada pela Otan, em nome da proteção dos civis. No dia 20 de agosto, após quase sete meses de combates, bombardeios, avanços e recuos, os rebeldes iniciaram a tomada de Trípoli, colocando Kadafi, seu governo e sua era em xeque. Na dia 23 de agosto, os rebeldes invadiram e tomaram o complexo de Bab al-Aziziya, em que acreditava-se que Kadafi e seus filhos estariam se refugiando, mas não encontraram sinais de seu paradeiro. De acordo com o CNT, mais de 20 mil pessoas morreram desde o início da insurreição.