A União Africana (UA) só reconhecerá os rebeldes do Conselho Nacional de Transição (CNT) da Líbia se o grupo se comprometer claramente a formar um governo que seja, sem exclusões, representativo para todos os líbios, afirmou nesta segunda-feira o presidente da Comissão da UA, Jean Ping.
Em entrevista coletiva, Ping precisou que um foverno "inclusivo" não significa que (o líder líbio Muammar) Kadafi deva estar incluído. A UA acredita que, como o regime de Kadafi terminou, a luta dos rebeldes, especialmente em Sirte (cidade natal do líder líbio), é desnecessária e unicamente serve para prolongar o sofrimento dos líbios
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"Kadafi deveria compreender a situação e o CNT também não deveria continuar (lutando). Ambas partes deveriam pôr fim aos assassinatos porque agora são inúteis. Um bando foi derrotado e outro ganhou", disse Ping na sede da União Africana em Adis-Abeba.
"Agora - prosseguiu -, temos que pensar na transição, na reconciliação e nos preparativos para uma nova Constituição".
Ping também criticou as potências ocidentais por ter ignorado o plano de paz da UA para acabar com o conflito líbio, que inclui o cessar-fogo, a abertura de um diálogo entre as partes e a instauração de um período de transição seguido de eleições democráticas.
"No entanto, a UA está disposta a trabalhar com todo o mundo, inclusive com a Otan", acrescentou o responsável da organização continental.
Na sexta-feira passada, o Conselho de Paz e Segurança da União Africana (UA) concluiu uma reunião de urgência sem dar seu reconhecimento ao CNT enquanto o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, duvidou dos rebeldes líbios.
Zuma, cabeça do setor da UA que se nega a reconhecer o CNT, assegurou que os países africanos que tinham outorgado legitimidade aos rebeldes líbios, como a Nigéria e Etiópia, "fizeram baseados em sua política de soberania e interesse".
Líbia: da guerra entre Kadafi e rebeldes à batalha por Trípoli
Motivados pelos protestos que derrubaram os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em fevereiro para contestar o coronel Muammar Kadafi, no comando desde a revolução de 1969. Rapidamente, no entanto, os protestos evoluíram para uma guerra civil que cindiu a Líbia em batalhas pelo controle de cidades estratégicas de leste a oeste.
A violência dos confrontos gerou reação do Conselho de Segurança da ONU, que, após uma série de medidas simbólicas, aprovou uma polêmica intervenção internacional, atualmente liderada pela Otan, em nome da proteção dos civis. No dia 20 de agosto, após quase sete meses de combates, bombardeios, avanços e recuos, os rebeldes iniciaram a tomada de Trípoli, colocando Kadafi, seu governo e sua era em xeque. Na dia 23 de agosto, os rebeldes invadiram e tomaram o complexo de Bab al-Aziziya, em que acreditava-se que Kadafi e seus filhos estariam se refugiando, mas não encontraram sinais de seu paradeiro. De acordo com o CNT, mais de 20 mil pessoas morreram desde o início da insurreição.