A foto postada no Facebook de um branco sul-africano que posa com uma espingarda junto ao corpo de uma criança negra supostamente morta foi tirada há três anos e já chegou a ser investigada na época, informou nesta segunda-feira o meio local "Iol News" em seu site.
O semanário sul-africano "Sunday Times" publicou neste domingo em sua capa a polêmica foto que aparece no perfil de um usuário do Facebook que se intitulou Eugene Terrorblanche.
No entanto, o jornal local "Beeld" afirmou nesta segunda-feira que a unidade de elite da Polícia sul-africana já investigou a foto em 2007, e que o homem exibido na imagem disse às autoridades na época que pagou à criança para que posasse.
Esta publicação causou um grande furor na África do Sul, um país que por cerca de 50 anos foi governado pelo regime segregacionista do apartheid, que defendia a supremacia da raça branca, e que ainda vive uma violenta tensão racial.
O "Sunday Times", que intitulou a notícia "Procura-se o Racista do Facebook", não indicou a data da polêmica foto do usuário Eugene Terroblanche, um nome que faz alusão ao líder do partido ultradireitista sul-africano branco Movimento da Resistência Afrikáner (AWB), Eugene Terre''Blanche, assassinado em abril de 2010.
No entanto, o jornal apontou que não sabia se a imagem retratava algo que realmente aconteceu ou se ela foi manipulada.
Por sua vez, a jornalista sul-africana Mandy Wiener afirmou neste domingo que ela mesma publicou uma notícia sobre esta foto há anos.
"Fiquei surpresa de ver a notícia no "Sunday Times", pois eu divulguei essa história há anos", afirmou Mandy em sua conta do Twitter.
Perante críticas, o editor do "Sunday Times", Ray Hartley, defendeu sua decisão de publicar a fotografia apesar dela já ter três anos de existência.
"Estamos falando de uma imagem extremamente racista que ainda está publicada no Facebook. Temos que encontrar a pessoa que a postou", apontou Hartley.
No domingo, pouco após a publicação da foto, as autoridades sul-africanas se apressaram em assegurar que o assunto está sendo investigado pela unidade de elite da Polícia, os Hawks, mas que o assunto não deveria ser relacionado com racismo.
"Um assassinato é um assassinato independente de quem seja o responsável", afirmou Zweli Mnisi, porta-voz do ministro de Polícia, Nathi Mthethwa.