Alexander Ankvab, presidente interino da Abkházia, se proclamou neste sábado vencedor das eleições presidenciais antecipadas realizadas na sexta-feira nessa região separatista da Geórgia. De acordo com os dados divulgados pela Comissão Eleitoral Central (CEC), Ankvab obteve 54,86% dos votos, resultado com o qual não será necessária a realização de um segundo turno.

Nugzar Ashuba, presidente do Parlamento que durante a campanha assumiu o cargo de chefe de Estado interino, já cumprimentou Ankvab por ocasião da vitória no pleito. Os dados oficiais indicam que, em segundo lugar, ficou o primeiro-ministro Sergei Shamba, com 21,04% dos votos. Em terceiro, com 19,83% dos votos, situou-se Raul Khadjimba, líder do partido Fórum de União Nacional da Abkházia.

Khadjimba antecipou que, "durante as eleições, foram utilizadas tecnologias de falsificação". "Essas eleições voltaram a mostrar que o processo de engano continua", declarou. Suas críticas se centram nas listas complementares de eleitores e que, segundo Khadjimba, "superam entre 20% e 30% em cada circunscrição".

A Abkházia, república banhada pelo Mar Negro, antecipou as eleições presidenciais devido à morte repentina do artífice da independência autoproclamada do território, Sergei Bagapsh, que morreu no final de maio em um hospital em Moscou. Em 2004, quando Bagapsh derrotou Khadjimba e ganhou pela primeira vez a Presidência, a Abkházia se viu à beira de uma guerra civil e alguns observadores eleitorais temem a repetição daqueles fatos.

A Abkházia se autoproclamou independente da Geórgia após uma sangrenta guerra na qual contou com o apoio financeiro e militar da Rússia em 1993. Após a invasão da Geórgia pelas tropas russas em 2008, Moscou reconheceu a independência da Abkházia. Posteriormente, Nicarágua, Venezuela e o atol de Nauru seguiram à Rússia no reconhecimento da independência da Abkházia.