Ao menos 32 navios procedentes de diversos países com todo tipo de provisões, como combustível, água, alimentos e remédios, estão ancorados no porto de Trípoli, à espera para desembarcar os suprimentos. Após os rebeldes terem assumido o comando de Trípoli, no fim de semana passado, a estabilidade da capital de 1,5 milhão de habitantes se transformou em prioridade para o Conselho Nacional de Transição (CNT), máxima autoridade dos insurgentes.
Os responsáveis rebeldes pela estabilização de Trípoli garantiram aos jornalistas estarem preparados, inclusive, para o pior dos cenários, como a possibilidade de o coronel Muammar Kadafi ter destruído instalações e infraestruturas essenciais. Até semana passado, o Conselho mantinha sua capital em Benghazi, segunda cidade do país O CNT garantiu que 30 dias após sua completa mudança à capital de Benghazi começará a transição política na Líbia com a formação de Governo provisório designado pela autoridade rebelde. Mas, por enquanto, a atenção está centrada no restabelecimento da segurança, no reabastecimento e nos serviços básicos como água e luz que permanecem cortados em quase toda a cidade.
Líbia: da guerra entre Kadafi e rebeldes à batalha por Trípoli
Motivados pelos protestos que derrubaram os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em fevereiro para contestar o coronel Muammar Kadafi, no comando desde a revolução de 1969. Rapidamente, no entanto, os protestos evoluíram para uma guerra civil que cindiu a Líbia em batalhas pelo controle de cidades estratégicas de leste a oeste.
A violência dos confrontos gerou reação do Conselho de Segurança da ONU, que, após uma série de medidas simbólicas, aprovou uma polêmica intervenção internacional, atualmente liderada pela Otan, em nome da proteção dos civis. No dia 20 de julho, após quase sete meses de combates, bombardeios, avanços e recuos, os rebeldes iniciaram a tomada de Trípoli, colocando Kadafi, seu governo e sua era em xeque.