O ex-chanceler alemão Helmut Kohl disse que suas recentes críticas feitas em entrevista sobre o curso político tanto na Europa como nas relações transatlânticas do Executivo de Angela Merkel não devem ser contempladas "como um acerto de contas" com a atual chefe de governo. Em declarações publicadas neste sábado pelo jornal Bild, Kohl admite que tinha consciência de que alguns de seus comentários na entrevista "teriam uma atenção especial", mas afirma categoricamente: "minha entrevista não foi naturalmente um acerto de contas" com a atual chanceler.

"Nunca tive um interesse nisso e também não vou começar agora, aos meus 81 anos", ressalta o antigo chefe de governo alemão, que conduziu o país à unificação após a queda do muro de Berlim e que lamenta que a oposição tenha "instrumentalizado" suas palavras. O ex-chanceler assegura que sua intenção com a polêmica entrevista foi "dar um sinal positivo", estender "o otimismo" e divulgar "uma mensagem com um claro sim para o futuro da Alemanha, nosso país no centro da Europa".

Em entrevista publicada nesta semana pela revista Internationale Politik, Kohl lamenta que o atual Governo alemão tenha perdido a bússola política e, embora sem citar especificamente Merkel, critica a líder por sua falta de vontade de liderança. "As grandes transformações do mundo atual não justificam a falta de visão e de ideias no campo ao qual pertencemos e na direção que pretendemos tomar", declarou Kohl, chanceler entre 1982 e 1998, que advertiu que "devemos ter cuidado para não perder tudo" e lamentou uma piora das relações da Alemanha com os Estados Unidos e a fragilidade do eixo franco-alemão.

"Se fosse eu o chanceler, não teria concordado com a entrada da Grécia na zona do euro sem reformas fundamentais nesse país", acrescentou o chamado "chanceler da unificação". "Comigo, a Alemanha não teria violado os critérios de estabilidade do euro. Cometeram-se esses erros. Mas a boa notícia é que podem ser reparados".