Quase uma semana depois da invasão de Trípoli pelos rebeldes, o embaixador da Líbia em Brasília, Salem Zubeide, declarou apoio ao Conselho Nacional de Transição (CNT), o órgão representante dos revolucionários. Zubeide disse que, após "semanas de estudo", decidiu apoiar o Conselho, desejando-lhe "todo o sucesso" na tarefa da reconstrução do país.

O embaixador argumentou que, por ter sido escolhido pelo povo líbio para representar o país no Brasil, mantém a postura de lealdade perante o CNT, a quem deixa o cargo à dispoição. A esmagadora maioria da Líbia se encontra do lado dos rebeldes. Atualmente, somente alguns pontos da capital, Trípoli, permanecem com remanescentes da era do coronoel, euqnato os rebeldes organizam a tomada de Sirte, a cidade natal do coronel.

A postura de Zubeide é indicada pela presença da bandeira monárquica líbia na embaixada em Brasília, símbolo da resistência contra o regime de Kadafi. Ainda nesta semana, após a tomada de Trípoli, o chanceler brasileiro, Antonio Patriota, adotou uma postura mais cautelosa, congratulando os rebeldes pela caminhada rumo à democracia, mas condenando a violência em solo líbio.

Zubeide lembrou os laços existentes entre Brasil e Líbia, acrescentando que a relação entre as duas nações "deve melhorar" e fazendo menção à presença de empresas brasileiras na Líbia. No início do ano, após o início da guerra civil entre os rebeldes e as forças de Kadafi, fucionários brasileiros e de inúmeros outros países foram forçados a evacuar o país.

Representante líbio no Brasil desde 2007, Salem Zuleide não está entre os vários diplomatas líbios que pediram demissão durante o estouro da guerra civil. Muitos representantes líbios na Europa, nos Estados Unidos e na ONU renunciaram em oposição à repressão do governo de Kadafi aos rebeldes, que posteriormente levou à intervenção internacional, apoiada pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Líbia: da guerra entre Kadafi e rebeldes à batalha por Trípoli
Motivados pelos protestos que derrubaram os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em fevereiro para contestar o coronel Muammar Kadafi, no comando desde a revolução de 1969. Rapidamente, no entanto, os protestos evoluíram para uma guerra civil que cindiu a Líbia em batalhas pelo controle de cidades estratégicas de leste a oeste.

A violência dos confrontos gerou reação do Conselho de Segurança da ONU, que, após uma série de medidas simbólicas, aprovou uma polêmica intervenção internacional, atualmente liderada pela Otan, em nome da proteção dos civis. No dia 20 de julho, após quase sete meses de combates, bombardeios, avanços e recuos, os rebeldes iniciaram a tomada de Trípoli, colocando Kadafi, seu governo e sua era em xeque.