O chefe do grupo xiita Hisbolá, xeque Hassan Nasrallah, defendeu mais uma vez o regime do presidente sírio, Bashar al Assad, já que considerou que sem seu apoio nunca teria conseguido libertar o sul do Líbano de Israel nem defender a causa palestina. "Apesar de todas as pressões, a Síria manteve sua postura. Síria não abandona seus valores e os direitos árabes, já que se tivesse feito, a causa palestina teria saído perdedora. Síria consolidou dita causa e impedido sua liquidação", disse Nasrallah em uma videoconferência, como vem sendo habitual.

Além disso, pediu aos dirigentes árabes a pôr fim à insurreição na Síria, já que, segundo sua opinião, os líderes sírios querem realizar reformas. "Todos devem contribuir, entre eles os árabes, a acalmar a situação na Síria porque caso contrário porá em perigo a Palestina e toda a região", pediu o religioso xiita, que insistiu que os esforços devem concentrar-se em acalmar a situação e manter um diálogo.

Para Nasrallah, "o Líbano não pode ser isolado do que acontece na Síria. Os eventos positivos e negativos repercutirão não só aqui, mas em toda a região". Além disso, acusou o Ocidente de tentar transformar a Síria em um país confessional como o Líbano para que haja conflito: "Querem empurrar a Síria em direção à desunião para poder aplicar o projeto do novo Oriente Médio", apontou.

O secretário-geral do Hisbolá pronunciou este discurso por ocasião do "Dia de Al Quds (Jerusalém)", instaurado pelo falecido fundador da República Islâmica do Irã (1979), o aiatolá Ruhola Jomeini, nos anos 1980. "Chegará o momento no qual se possa respirar o ar da Palestina desde seu interior e não só aqui. Essa terra será devolvida a seu povo e todos os crentes do mundo devem preparar-se para isso", augurou Nasrallah, na videoconferência que foi emitida perante milhares de seus seguidores em Maroun al-Ras.

Nessa localidade libanesa fronteiriça com Israel se registraram sangrentos combates entre soldados israelenses e membros do Hisbolá durante a guerra de 2006. Além disso, em maio, dez manifestantes palestinos morreram por disparos israelenses quando tentavam se aproximar da fronteira por ocasião do "Dia da Nakba", o desastre que significou para eles a criação do Estado israelense em 1948.