O estado de saúde de Liza Mônica Pereira, de 46 anos, baleada no tórax durante sequestro de um ônibus, na noite de terça-feira, no Centro, segue grave, porém estável. De acordo com a secretaria de Saúde, ela continua internada no Centro de Terapia Intensiva (CTI), do Hospital Municipal Souza Aguiar.

Liza sofreu fratura de costela e clavícula e contusão pulmonar. Entre os outros passageiros feridos, Alcir Pereira, de 56 anos, recebeu alta do Hospital Municipal Souza Aguiar na quinta-feira. Já Fabiana Gomes da Silva, de 30 anos, que levou um tiro na região do glúteo, passa bem e foi transferida para o Hospital de Clínicas da Penha.

Imagens das câmeras não ajudam

As imagens das câmeras da Prefeitura e do Metrô não ajudaram os investigadores da 6ª DP (Cidade Nova) a descobrir quantos PMs atiraram no ônibus da Viação Jurema durante sequestro no dia 9. Dois policiais admitiram ter feito disparos nos pneus e vão responder por lesão corporal dolosa.

A polícia tenta ver imagens do Hospital Casa Branca, de Duque de Caxias, Baixada Fluminense, para tentar esclarecer a suposta participação do sobrinho do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, Jean Júnior da Costa Oliveira, de 21 anos.

O sequestro

O ônibus que seguia da Praça XV para Duque de Caxias foi cercado pela polícia na Avenida Presidente Vargas, pista sentido Praça da Bandeira, no Centro do Rio, no dia 9 de agosto. Quando o coletivo parou em um ponto, os criminosos entraram, pagaram a passagem e nem esperaram o troco. O motorista desconfiou, fez sinal para dois policiais e aproveitou para fugir.

Cerca de 50 agentes da PM, do Batalhão de Policiamento de Choque e do Bope foram acionados para o local. Após duas tentativas de fuga, os pneus do coletivo foram furados. Com o ônibus parado, policiais armados de fuzis e pistolas se posicionaram do outro lado da pista. Houve um intenso tiroteio. Peritos dizem que foram mais de 10 perfurações no veículo.

Após 35 minutos de negociação, dois criminosos foram capturados e identificados como Renato da Costa Júnior, de 21 anos, e Bruno Silva Lima, de 19 anos. O terceiro preso, identificado por policiais que estavam na ação, foi identificado como Jean Júnior da Costa Oliveira. Apontado como sobrinho do traficante Fernandinho Beira-Mar, Jean foi capturado quando deu entrada em um hospital particular, no entanto na tarde da última sexta, a Justiça ordenou a soltura de Jean por não ver indícios da participação dele no sequestro. Um quarto bandido foi identificado por fotos do banco de dados da Polícia Civil como e tem um mandado de prisão preventiva expedido contra ele. Este último sequestrou um casal antes de conseguir fugir.

O secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, assumiu que houve erro de abordagem dos policiais no caso mas destacou a negociação que aconteceu em seguida como bem sucedida. Para o comandante da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte, os policiais militares quebraram o protocolo ao atirar contra o veículo com reféns, apesar do fato ter permitido que o ônibus fosse interceptado pela polícia. Os dois policiais que confessaram ter atirado contra o ônibus foram indiciados por lesão corporal, informou a delegada-adjunta da 6ª DP (Cidade Nova), Sânia Cardoso. Ainda segundo a delegada, caso alguma das pessoas atingidas morra, ambos podem ser indiciados de homicídio culposo. Os nomes dos agentes não foram divulgados.