Para muitos adolescentes muçulmanos nos Estados Unidos, os atentados de 11 de setembro de 2001 foram responsáveis por mudar a vida deles para sempre, mesmo que eles ainda usassem fraldas na época.

De muitas maneiras, Yousuf Salama, 16 anos, é um típico adolescente americano: apaixonado por futebol americano e preocupado com a acne. Contudo, ele sabe que o seu crescimento foi marcado pelo cenário pós-11/9 e que os seus atos carregam um significado a mais. "Às vezes eu sinto que tenho que dar um melhor exemplo", disse Yousuf, que é apenas um de dois muçulmanos em uma escola católica no sul do Estado americano da Califórnia.

Para adolescentes como Yousuf ao redor dos EUA, o bullying, as encaradas, as intermináveis defesas da identidade, uma fé mais profunda e a maturidade foram as marcas deixadas pelo 11 de setembro.

Aneesa Ansari, 15 anos, também escolheu abraçar e exibir com orgulho suas origens muçulmanas. No jardim de infância, ela estudava em uma escola exclusiva para muçulmanos que chegou a ser fechada por duas semanas devido a protestos após o 11 de setembro.

Desde a quinta série, ela aparece em público sempre com o véu muçulmano, contrariando até a vontade de sua mãe, que tinha medo de que ela fosse vítima de discriminação. "Eu tenho força suficiente, eu acho, para não ter medo de quem eu sou", diz Aneesa. "Existe uma pressão para mudar, as pessoas insinuam que você não precisa usar o véu na escola, perguntam se os seus pais o obrigam. Combate isso o torna uma pessoa mais forte", diz a adolecente.