O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, anunciou nesta segunda-feira (22) que convocará uma reunião para esta semana sobre a situação na Líbia, na presença de dirigentes da União Africana, da Liga Árabe e de outras organizações regionais.
A ONU prometeu ajuda na transição política da Líbia no momento em que a capital Trípoli está sendo tomada pelos rebeldes.
O chefe da ONU confirmou à imprensa que a reunião será realizada na quinta (25) ou na sexta-feira (26) em Nova York, nos Estados Unidos, e terá a participação dos dirigentes da União Europeia e da Conferência Islâmica.
A França, um dos primeiros países a apoiar a insurreição líbia contra o regime do coronel Muammar Gaddafi, propôs nesta segunda-feira receber na semana que vem, em Paris, uma reunião do Grupo de Contato sobre a situação da Líbia para definir um plano de ajuda às novas autoridades.
Ban reafirmou o comprometimento da comunidade internacional em proteger os civis, compromisso firmado em março com a aprovação do uso da força contra o regime de Gaddafi em proteção da população líbia.
As Nações Unidas estão prontas para ajudar em todas as áreas que necessitem, principalmente na segurança, estado de direito, reconstrução econômica, elaboração de uma nova Constituição e organização de eleições.
Ban Ki-moon também pediu nesta segunda-feira às forças leais ao líder líbio que abandonem "imediatamente" as armas e abram caminho para uma transição sem contratempos no país norte-africano.
O diplomata reconheceu que o organismo internacional não sabe o paradeiro de Gaddafi, mas demonstrou esperança na detenção do líbio em um futuro bem próximo.
Rebeldes líbios dizem que não permitirão bases da Otan
O representante do Conselho Nacional de Transição (CNT) líbio, Abdel Moneim al Honi, indicou nesta segunda-feira no Cairo que seu país não permitirá o estabelecimento de bases militares da Otan (aliança militar do Ocidente) após o triunfo da revolução.
Em declarações à agência de notícias oficial Mena, Honi agradeceu à Aliança por ter destacado suas forças para apoiar a luta contra o regime de Muammar Gaddafi que, segundo os opositores, está chegando ao fim.
- A ajuda da Otan permitiu reduzir o número de mortes no conflito.
Como adiantou nesta segunda o ministro de Relações Exteriores egípcio, Mohamed Amr, em entrevista coletiva conjunta, Honi será o próximo representante líbio na Liga Árabe se seus membros decidem levantar suspensão que impuseram a esse país após a explosão da revolução em 17 de fevereiro.
Honi disse que entrou em contato com o secretário-geral da Liga Árabe, Nabil al Araby, para que aborde a reincorporação líbia na reunião que os ministros de Relações Exteriores terão nesta terça-feira na capital do Qatar, Doha.
Paradeiro de Gaddafi é incerto
O paradeiro de Gaddafi é desconhecido desde o domingo. O porta-voz do Pentágono (Departamento de Defesa dos Estados Unidos), coronel David Lapan, no entanto, disse hoje que eles acreditam que Gaddafi ainda esteja na Líbia.
- Nós não temos informações que ele deixou o país.
Segundo o CNT, os rebeldes já controlam 95% de Trípoli e três dos filhos de Gaddafi foram capturados pela insurreição.
O TPI (Tribunal Penal Internacional) negocia com o CNT a extradição de Saif al Islam, filho e porta-voz do ditador do país. Pesa sobre Saif uma ordem de prisão por crimes contra a humanidade. Porém, o presidente do CNT, Mustafa Abdel Jalil, afirmou que Saif não será entregue ao TPI de Haia: ele será julgado na Líbia.
O TPI também ordenou uma ordem de prisão para o líder líbio, Muammar Gaddafi, e de seu cunhado, o chefe da inteligência do regime, Abdullah al Senussi, por supostos crimes contra a humanidade.
O Tribunal tem competência para julgar na Líbia devido à resolução do Conselho de Segurança da ONU de 26 de fevereiro.