Depois de as Nações Unidas confirmarem que há indícios de crimes contra a humanidade na Síria, investigadores da ONU ressaltaram, nesta quinta-feira, que essas acusações poderão resultar em um processo por crimes contra a humanidade no Tribunal Penal Internacional (TPI). Eles acrescentaram que têm evidências contra 50 suspeitos.

O relatório da ONU sobre a situação na Síria, publicado nesta quinta, revela que houve no país casos de tortura, prisões arbitrárias e o assassinato de ao menos 1.900 civis, incluindo crianças, por tropas do governo. Ele contém ainda uma lista confidencial de 50 membros de diversos escalões do governo suspeitos de participação nesses crimes.

"Tanto as Forças Armadas como as forças de segurança da Síria estão envolvidas na repressão a manifestações pacíficas", aponta o comunicado que indica que elas abriram fogo sem distinção contra os civis, sem prévio aviso e a uma curta distância. Há testemunhas que relatam execuções sumárias, incluindo civis assassinados em camas de hospitais por soldados da segurança.

O documento de 12 páginas foi elaborado por 13 especialistas em Direitos Humanos e encomendado pela alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay. Ele cobre o período que vai de meados de março a meados de julho e pede ao Conselho de Segurança que encaminhe um apelo ao TPI sobre a situação da Síria.

Críticas americanas – Em resposta ao comunicado divulgado nesta quinta pelo presidente americano, Barack Obama, Rim Haddad, diretora de Relações Exteriores do ministério, disse que o Ocidente tenta atiçar a violência na Síria. "É estranho que, em vez de oferecer sua ajuda a Damasco para aplicar seu programa de reformas, Obama e o mundo ocidental tentem atiçar a violência na Síria", declarou.

Mais cedo Obama havia pedido - pela primeira vez publicamente – que o ditador Bashar Assad deixasse o poder. A União Europeia reforçou a pressão em um comunicado em nome de todos os membros do bloco.