Os partidos da oposição iemenita formaram nesta quarta-feira o chamado Conselho Nacional Interino para derrubar o regime do presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, após meses de protestos.

Cerca de 800 representantes das principais formações opositoras, agrupadas na coalizão Encontro Partilhado, e de associações juvenis e da sociedade civil elegeram em reunião realizada na Universidade do Sana os 143 membros desse conselho.

Entre os membros eleitos figuram o general Ali Mohsen al Ahmar, um dos principais comandantes militares desertores do regime, e líder do Partido da Reforma Islâmica - braço político do grupo conservador islâmico Irmãos Muçulmanos - e do Partido Socialista iemenita.

Além de incluir dirigentes do movimento separatista do sul do Iêmen, do grupo dos "huties" (seita xiita do norte do país) e como personalidades opositoras que residem no estrangeiro.

A primeira reunião do Conselho está prevista para amanhã, quinta-feira, para escolher os 20 membros do comitê executivo e conta com medidas extremas de segurança. Centenas de soldados da Primeira Brigada de Blindados do Exército, comandada pelo general Al Ahmar, cercaram os arredores do campus universitário, que foi o epicentro da revolta contra Saleh.

A oposição pede a retirada do presidente, no poder desde que Iêmen do norte e Iêmen do sul se unificaram em 1990, e a introdução de reformas políticas no país, o mais pobre da península Arábica.

O governante iemenita foi transferido no dia 4 de junho para Arábia Saudita, após se ferir em um atentado contra o Palácio Presidencial, no qual morreram sete guarda-costas e e outros dirigentes saíram feridos.