A missa de sétimo dia da juíza titular da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, Patrícia Lourival Acioli, executada na última quinta-feira, foi marcada por emoção, tristeza e protestos. Durante a cerimônia, realizada na capela do Colégio São Vicente de Paulo, em Icaraí, bairro de Niterói (Região Metropolitana) familiares, aos prantos, todos vestidos de camisa preta com foto da juíza, definiram a passagem da magistrada por suas vidas.

"Minha mãe foi uma heroína. Para nascer outra como ela vai demorar muito", disse a filha da juíza, de 12 anos de idade.

O filho mais velho, de 20 anos, que foi a primeira pessoa a ver a mãe morta, lembrou que a juíza “só fazia bem aos outros”. O jovem demonstrou-se desiludido com o judiciário e com a carreira que escolheu trilhar, já que cursa o 5º período de Direito.

“Ela estava sempre disposta, lutava pelo ideal que ela tinha, e era extremamente humana, é complicado pra gente que é estudante de direito acaba ficando chateado com uma instituição que não nos deu apoio”, disse ele. “Tem que rever esse judiciário. Que judiciário é esse que, com leviandade, não julga da forma correta e acaba com minha mãe tendo que pagar esse pato”.

O primogênito destacou o fato de a juíza, apesar de jurada de morte, jamais transparecer preocupação diante de sua prole.

“Foi uma mãe tão sensacional que escusava a gente dos problemas de segurança, já chegava em casa com um sorrisão aberto, já iluminava e tirava qualquer tipo de preocupação. Se morreu daquela forma, com certeza foi para proteger a gente”, analisou. “Eça fazia o serviço dela dignamente, tanto que não tinha horário para voltar, trabalhava o quanto era necessário, saia de madrugada do fórum, era a vida dela. Minha maior inspiração de vida é ela, só Deus sabe como será agora”.

No altar, o ex-cunhado da juíza, o defensor público José Augusto Garcia, que teve Patrícia como colega na Defensoria, manifestou revolta e criticou a postura do Poder Judiciário na condução do caso.

“Que a instituição tenha a mesma coragem de Patricia para dizer 'nós erramos', pedir perdão à família e à sociedade brasileira. Patrícia tinha que ter a segurança que não teve, tinha que estar viva e não está.”

No final da missa, o presidente da Associação de Magistrados Brasileiros (AMB), Nelson Calandra, afirmou que Judiciário fluminense falhou na missão de proteger uma de suas representantes.

“A proteção chega tarde porque já estive em outras missas de magistrados assassinados por organizações criminosas. Precisamos mudar a legislação penal brasileira que não prestigia a sociedade.”