Nesta terça-feira (09.08), a Vereadora Fátima Santiago (PP) intermediou um encontro entre a Procuradora-chefe do Ministério Público do Trabalho em Alagoas, Rosemeire Lopes Lôbo, com as mães que residem na Vila Emater 2 localizada ao lado do antigo lixão de Maceió, no bairro de Jacarecica. A reunião aconteceu na sede da Cooperativa dos Catadores (Coopvila), com o objetivo de garantir a manutenção da creche existente no local.

As moradoras da Vila Emater 2 andam preocupadas após os rumores que a creche Herbert de Souza pode ser desativada com a construção de creche-escola na Vila Emater I, devido a um acordo judicial firmado entre o MPT e o Município de Maceió. Elas argumentam que ajudaram na construção desse prédio e que o terreno para a nova unidade não é propício, além disso, afirmam que essa transferência irá prejudicá-las já que a maioria moram e trabalham com a reciclagem de resíduos sólidos na Vila Emater 2, localizada na parte alta.

“Não é justo ver o resultado do nosso esforço ser apagado, levamos baldes d´água na cabeça para ajudar na construção da creche e agora ela pode ser retirada. E outra coisa, no terreno que escolheram para construir a nova creche, as barreiras estão caindo a toda hora depois das chuvas”, destacou Eliene da Silva, voluntária da Pastoral da Criança e Presidente da Coopvila que é formada na sua maioria por mulheres chefes de família.

A diretora da creche Herbert de Souza, Dilza Rocha, também participou da reunião e aproveitou o momento para destacar que cerca de 100 crianças, de dois a seis anos, são assistidas. Ressaltou ainda que no último levantamento detectou-se que 70% dos alunos são da Vila Emater 2, e o ideal é fazer a ampliação da unidade porque a demanda é intensa.

A Procuradora Rosimeire Lôbo informou que não cabe ao MPT determinar onde a creche-escola deve ser construída, mas que deve averiguar junto aos gestores municipais as reais demandas para este espaço, se a creche Herbert de Souza deve ser desativada ou ser transformada em anexo da nova creche-escola. “Eu posso propor um aditivo ao acordo para manter a Herbert de Souza funcionando, com a devida manutenção e a garantia das melhorias possíveis, até a construção desse outro espaço. Mas, também é preciso pressionar o Estado para que o projeto do conjunto habitacional seja realmente viabilizado para essas famílias”, afirmou.

De acordo com a vereadora Fátima Santiago esse foi um momento extremamente importante para ouvir os clamores das lideranças, além de identificar as verdadeiras carências e conhecer melhor a realidade. “Nós não queremos que nenhuma comunidade seja desassistida, tanto os moradores da Vila Emater 1 quanto a 2, precisam de atenção do poder público. As lideranças da Vila Emater 2 me procuraram e demonstraram a necessidade da comunidade ser ouvida antes de qualquer determinação oficial da justiça e por isso entrei em contato com a Procuradora”, disse. Também estiveram na reunião, representantes da organização não-governamental Centro de Educação Ambiental São Bartolomeu (Ceasb), entidade que desenvolve várias atividades sócio-culturais-educativas na comunidade e é uma importante parceria da Coopvila.