As denúncias envolvendo o Ministério do Turismo, alvo de operação da Polícia Federal deflagrada nesta terça-feira (9), alimentaram o pedido de uma CPI da Corrupção, articulada pelos oposicionistas, com o objetivo de investigar escândalos recentes. Para o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), "resta saber se o governo (da presidente Dilma Rousseff) tem condições ou não de evitar uma perda num embate político".
- É preciso saber se esse governo tem uma base consolidada que não permita a oposição instalar a Comissão. A oposição está no papel dela, que não é aplaudir, mas questionar, contestar (o Executivo federal) - afirma.
Eunício complementa:
- CPI é sempre CPI. Você sabe como começa, mas não sabe como termina. Lembra da CPI dos Correios, que foi uma CPI que começou por R$ 3 mil, por causa de um flagrante, de uma gravação de alguém do décimo escalão dos Correios recebendo propina de R$ 3 mil? Deu a confusão que deu. Onze meses de confusão dentro do Congresso Nacional - critica.
Diante da turbulência em Brasília, o senador se esquiva de fazer prognósticos.
- Vamos avaliar até amanhã. É precipitado dizer o que vai acontecer. Pode ser que tenha assinatura suficiente (para a implementação da CPI), pode ser que não tenha. O que eu posso dizer é que há um clima muito ruim, muito pesado no Congresso.
Independentemente de uma CPI, o ministro do Turismo, Pedro Novais (PMDB), deve prestar esclarecimentos no Congresso Nacional na semana que vem, após acerto com os peemedebistas.
"Voucher"
O senador Eunício Oliveira diz ter recebido com "surpresa" a notícia da Operação Voucher, da Polícia Federal, na qual foram cumpridos 38 mandados de prisão, entre eles o secretário-executivo do Ministério do Turismo, Frederico Silva da Costa, o número dois da pasta, além do secretário nacional de Desenvolvimento de Programas de Turismo, Colbert Martins da Silva Filho e e Mario Moysés, ex-presidente da Embratur.
A ação foi deflagrada para desarticular um esquema de desvio de verba pública da pasta.
- Fica um clima de muita instabilidade do ponto de vista político. Mas é preciso esperar um pouco para ver o que vai acontecer - diz.