O deputado federal alagoano Rui Palmeira foi um dos deputados tucanos que assinaram requerimentos convocando o ministro do Turismo, Pedro Novais, a dar explicações na Câmara sobre a suspeita de desvio de recursos públicos na pasta. As comissões de Turismo, Fiscalização Financeira e Defesa do Consumidor aprovaram nesta quarta-feira (10) requerimentos de audiência com Novais, dois deles encaminhados por parlamentares do PSDB.

Rui Palmeira é membro da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados, atuando também nacionalmente como vice-líder da oposição ao governo. Segundo o parlamentar “a presença do ministro Pedro Novais na Câmara é essencial e é uma vitória da democracia. Na próxima quarta-feira, dia em que o ministro deve ser ouvido pelos deputados, vamos cobrar respostas para mais este escândalo”, destacou.

Ainda na Comissão de Turismo o deputado Rui Palmeira ressaltou que ouvir o ministro “será bastante elucidativo para esclarecer os fatos que se tornaram públicos e também para falar um pouco da política de Turismo no país que gastou milhões e milhões nos últimos anos com festas em detrimentos de importantes investimentos”. Na Comissão, o requerimento de convocação do ministro também contou com a assinatura do deputado tucano Otávio Leite, do Rio de Janeiro.

“Fui dos que lutou por esta convocação porque não podemos deixar a sociedade em explicações. As denúncias são graves e precisamos destes esclarecimentos. Não vamos nos calar e vamos, a cada dia, cobrar coerência e transparência do governo federal. E mais especificamente neste caso o esquema revelado pela Polícia Federal, com prisão de 35 pessoas, não pode ficar sem explicação” afirmou Rui Palmeira.

Em outros três requerimentos, parlamentares do PSDB garantiram a realização de audiência com o ex-ministro Luiz Barretto, um convite ao ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Jorge Hage, e um pedido de informação ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, sobre a ação da PF.
 

Corrupção generalizada
 

O líder tucano na Casa, Duarte Nogueira, afirmou que existe uma corrupção generalizada na Esplanada e considerou fundamental que os responsáveis pelo Turismo expliquem se tinham conhecimento das irregularidades. Ele classificou as fraudes como um “convênio podre que resultou num desvio de recursos de R$ 4 milhões e não gerou nenhuma promoção de atividades de turismo, portanto uma corrupção flagrante”.

“O ministro tem que dar essas explicações, pois toda a cúpula foi afastada ou está presa com graves indícios de desvio de emendas parlamentares. A presença dele vai trazer luz para o caso”, defendeu o deputado Fernando Francischini. Ele e o deputado paulista Vanderlei Macris afirmaram que a presença de Barretto também é indispensável, já que os problemas teriam começado em sua gestão.

Segundo a PF, as investigações indicam que foram desviados R$ 3 milhões do ministério, de um total de R$ 4,4 milhões previstos em contrato com o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável (Ibrasi), destinado à qualificação de 1,9 mil profissionais no Amapá. O repasse era feito por empresários, funcionários do ministério e do Ibrasi. As investigações constataram que não houve treinamento e os valores foram pagos a empresas que só existiam no papel.