O novo primeiro-ministro do governo do Tibete no exílio, Lobsang Sangay, prestou juramento nesta segunda-feira () para assumir o cargo, em cerimônia realizada na cidade de Dharamsala (norte da Índia). Com isso, ele substitui o dalai lama como líder político tibetano.
O ato, do qual participaram centenas de pessoas - entre elas o próprio dalai lama -, foi transmitido ao vivo na página do dalai lama na internet. Sangay será o terceiro primeiro-ministro do governo tibetano no exílio, com sede em Dharamsala, na qual se refugiou o dalai lama após o fracasso da revolta tibetana contra a China, em 1959.
Em discurso, Sangay disse que é "nosso dever assegurar o retorno do dalai lama ao Tibete. Reuniremos nosso povo e restauraremos a liberdade".
Em março, o dalai lama anunciou sua decisão de se desligar das questões políticas para se concentrar em seu papel como líder espiritual do budismo. Da mesma forma que o dalai lama, Sangay não reivindica um Tibete independente: se conforma com que as autoridades chinesas aceitem a liberdade religiosa e o respeito aos direitos humanos. No exílio vivem atualmente cerca de 140 mil tibetanos.
Sangay, 43, é jurista, formado pela Universidade Harvard (EUA). Ele prometeu negociar com a China uma maior autonomia para o Tibete.
- Guiado pela sabedoria de nossos ancestrais, me disponho a continuar com a política que procura uma autonomia genuína para o Tibete dentro da China.
O porta-voz do Parlamento tibetano no exílio, Tenzin Norbu, disse à agência de notícias Efe que a formação do gabinete do novo governo somente deve ocorrer em setembro.
O governo tibetano no exílio não é reconhecido formalmente por nenhum país e precisa de autoridade sobre o Tibete, mas o fato de ter sede na Índia é uma das maiores disputas entre esse país e a China, onde está o território.
Luta contra a “linha dura”
Sangay agradeceu à comunidade internacional pela ajuda prestada aos tibetanos no exílio, e ressaltou que sua luta não é contra “o povo chinês”, nem contra “China como Estado”, mas contra as “políticas de linha dura” que esse país pratica no Tibete.
- Após 70 anos, o Tibete não é o paraíso socialista como profetizaram os funcionários chineses. Não há socialismo no Tibete, mas colonialismo.
Sangay representa uma geração de dirigentes tibetanos que nunca visitaram seu território, nascidos no exílio e chamados a conduzir o movimento no lugar de dalai lama, que com sua renúncia política buscava ordenar sua sucessão. Ele foi educado em uma escola para refugiados tibetanos na cidade nortista indiana de Darjeeling, e após estudar Direito na Universidade de Déli, transferiu-se para Harvard com uma bolsa de estudos de doutorado da Comissão Fulbright.