O ex-ministro de Relações Exteriores Celso Amorim toma posse oficialmente nesta segunda-feira no cargo de ministro da Defesa. A cerimônia acontece às 15h30, no Palácio do Planalto. Amorim sucede Nelson Jobim, que na última quinta-feira entregou sua carta de demissão à presidente Dilma Rousseff, após uma série de críticas a colegas de governo.
Além de Dilma Rousseff, são esperados na cerimônia os chefes do poder Legislativo e Judiciário, ministros de Estado, presidentes dos tribunais superiores, governadores de Estados e parlamentares.
No último sábado, Amorim encontrou-se com a presidenta Dilma e, em seguida, reuniu-se pela primeira vez com os comandantes das Forças Armadas. Os encontros, segundo a assessoria de imprensa do Ministério da Defesa, serviram para alinhar orientações e expectativas, além de propiciar ao novo ministro um primeiro contato com as questões mais importantes da pasta.
Os comandantes também fizeram uma rápida exposição dos programas e projetos prioritários nas Forças Armadas. O detalhamento desses projetos deverá ser feito em reuniões individuais posteriores com o novo ministro, segundo a assessoria de imprensa.
Celso Amorim nasceu em Santos (SP) há 69 anos. Ocupou a Chancelaria brasileira no governo de Itamar Franco e nos dois mandatos do ex-presidente Lula. Como diplomata, chefiou a Missão Permanente do Brasil nas Nações Unidas, em Nova York, entre 1995 e 1999, quando assumiu a chefia da missão brasileira na Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra, Suíça. Em 2001, serviu como embaixador no Reino Unido.
A demissão de Jobim
O ministro da Defesa, Nelson Jobim (PMDB), entregou sua carta de demissão à presidente Dilma Rousseff no dia 4 de agosto. Sua situação se tornou insustentável no governo após declarações dadas à revista Piauí em que teria considerado a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, "muito fraquinha" e dito que a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, "sequer conhece Brasília". Jobim negou ter feito as críticas e disse que as informações seriam "parte de um jogo de intrigas". Mas, segundo fontes, Dilma já havia decidido demitir o ministro caso ele não abandonasse o cargo por conta própria. Para seu lugar, a presidente escolheu o ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim.
A situação de Jobim à frente da pasta já vinha se deteriorando por outras declarações à imprensa que geraram mal-estar no governo. Em uma entrevista, ele afirmou ter votado no tucano José Serra, principal adversário de Dilma, nas eleições presidenciais do ano passado. No início de julho, em uma cerimônia em homenagem ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) - de quem ele foi ministro da Justiça entre 1995 e 1997 - no Senado Federal, ele citou o dramaturgo Nelson Rodrigues dizendo que "os idiotas perderam a modéstia". A fala foi interpretada como uma insatisfação do ministro com sua situação no governo. Mais tarde, contudo, ele disse que se referia a jornalistas.