Ao menos 45 civis foram mortos em uma operação realizada com tanques pelas forças do presidente sírio, Bashar al Assad, para ocupar o centro de Hama, disse um ativista nesta quinta-feira (4). A intensificação na campanha militar busca encerrar a revolta contra seu governo.
Após seis meses, Primavera Árabe vive incertezas
Em reação à intensificação dos ataques contra cidades sírias, o Conselho de Segurança da ONU superou profundas divergências e condenou a sangrenta repressão de Assad contra manifestantes civis. Foi a primeira medida concreta pela Nações Unidas com relação à revolta que já dura cinco meses na Síria e pede liberdades políticas.
Um ativista que conseguiu deixar a cidade sitiada disse à agência de notícias Reuters que 40 pessoas foram mortas por tiros de metralhadoras e bombardeios por tanques no distrito de al Hader, ao norte do rio Orontes, na quarta-feira (3) e na manhã desta quinta-feira.
O ativista, que se identificou como Thaer, disse que mais cinco civis, inclusive duas crianças, foram mortos em uma rodovia ao tentar deixar Hama de carro.
Autoridades sírias expulsaram a maior parte da mídia independente, tornando difícil confirmar relatos de testemunhas e informações oficiais.
Moradores disseram mais cedo que tanques avançaram para o centro de Hama ontem, depois de bombardearem intensamente a cidade e ocupar a principal praça de Orontes, local de alguns dos maiores protestos contra Assad.
Assad ataca mesmo distrito arrasado por tropas de seu pai
O presidente é sucessor do pai, o falecido presidente Hafez al Assad, desde 2000.
Franco-atiradores se espalharam pelos telhados dos prédios e em uma cidadela próxima. Eles disseram que os bombardeios estavam concentrados em al Hader, distrito que sofreu intensa destruição em 1982 quando forças leais a Hafez al Assad invadiram Hama para reprimir insurgentes islâmicos, matando milhares de pessoas.
Defensores de direitos humanos afirmam que mais de 90 pessoas, sem incluir os últimos dados, foram mortos em Hama, desde que Assad lançou um ataque militar no último domingo (31) para reprimir a insurgência contra seu governo autocrático.