Os pais de Flávia Anay Lima, 16, que morreu no último domingo (31), irão prestar depoimento à polícia na próxima sexta-feira (5). A jovem vivia com o jogador Rafael Silva, da Portuguesa, e caiu do 15º do apartamento do casal, na Vila Carrão (zona leste de SP).
Segundo o advogado da família, Ademar Gomes, o depoimento dos pais da adolescente será concedido às 16h, na sede da 5ª Delegacia Seccional.
Nesta quinta-feira, a polícia ouviu Thayna Lopes, prima de Flávia, e a jovem mudou a versão que havia contado aos policiais do 10º DP (Penha), onde a ocorrência foi registrada.
Inicialmente, a adolescente disse que Flávia já teria tentado se matar. Nesta quarta, porém, voltou atrás. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, Thayna alegou que, devido à morte da prima, estava nervosa e abalada naquela ocasião. Por esses motivos, teria, inclusive, assinado o boletim sem ler.
O caso foi registrado como suicídio consumado no 10º DP. Um inquérito, porém, foi aberto para investigar a morte de Flávia e será presidido pela delegada Elisabete Sato, titular da 5ª Seccional.
Rafael Silva também deverá ser ouvido no inquérito que investiga a morte de Flávia. "A ideia é ouvi-lo no final, pois ainda não temos nada para confrontá-lo", explica a delegada.
O CASO
Flávia morreu, por volta das 4h do último domingo, após cair do 15º andar de um prédio da rua Lutécia. Segundo o advogado de Rafael Silva, Giuseppe Fagotti, ela pulou da janela do imóvel após discutir com o jogador.
Ainda segundo Fagotti, a briga começou em um bar, onde Flávia teria danificado o carro do atacante com um sapato. Em seguida, diz o advogado, eles teriam voltado para o apartamento onde viviam e ela acabou se jogando.
A tia da adolescente, Larissa Kisy, que esteve na delegacia na manhã após a morte de Flávia, disse em entrevista à Folha que o relacionamento da sobrinha com o jogador estava conturbado e refutou o suicídio.
"No começo eles se davam bem, muito bem. Mas depois ficou conturbado, porque ele bebia uísque quando não tinha de jogar e começou a 'pagar' de solteiro. Ela não se jogou", disse Larissa.
Há 20 dias, Larissa disse ter acompanhado Flávia ao 10º DP para registrar um boletim de ocorrência de agressão. "Ela [Larissa] acabou desistindo após conversar com o Rafael".
À polícia, Rafael Silva disse que morava com a adolescente no apartamento havia seis meses.