O julgamento nesta quarta-feira (3) contra o ex-presidente egípcio Hosni Mubarak, acusado de planejar os ataques contra os manifestantes durante a revolução em janeiro deste ano, terminou com seu adiamento para até 15 de agosto.
Relembre a trajetória de Hosni Mubarak
No final da audiência, o juiz Ahmed Refat anunciou que Mubarak será transferido para um centro médico internacional na estrada que liga o Cairo à cidade de Ismaília, em vez de retornar ao hospital do balneário Sharm el Sheikh, no qual está internado desde 12 de abril.
Mais cedo, ele e seus filhos, Alaa e Gamal, negaram as acusações de abuso de poder e envolvimento na morte dos manifestantes durante os protestos que começaram em 25 de Janeiro.
“Nego todas as acusações", disse Mubarak, quem respondeu à pergunta do juiz Ahmed Refat pelo microfone e deitado em uma maca junto de seus filhos, que permaneceram de pé.
Alaa e Gamal, vestidos de branco e com um livro na mão (provavelmente um exemplar do Alcorão), também se declararam inocentes e repetiram a mesma frase de seu pai.
Em compensação, o julgamento do ex-ministro do Interior, Habib al Adly, e de seis chefes de polícia será retomado nesta quinta-feira (4).
Julgamento é a primeira aparição de Mubarak desde fevereiro
O histórico julgamento representa a primeira aparição pública de Mubarak desde 10 de fevereiro, quando fez um discurso um dia antes de renunciar à Presidência do Egito após 18 dias de protestos.
O ex-mandatário e seus filhos podem enfrentar pena de morte se considerados culpados por planejar o ataque contra os participantes da revolta popular, na qual morreram mais de 850 pessoas.
Segundo a Promotoria, Mubarak e seu ex-ministro do Interior permitiram aos policiais disparar contra os manifestantes e atropelá-los com seus veículos, e não utilizaram seus poderes para proibir estas ações.
Outra das acusações que recaem sobre ele é a do suposto acordo com o ex-ministro de Petróleo Sameh Fahmi sobre a venda de gás a Israel, por um preço inferior ao valor real no mercado, por meio de uma companhia de Salem, que é julgado à revelia.
Defesa pede que juízes escutem 1.631 testemunhas
O principal advogado de Mubarak, de Adly e de outros acusados, Farid el Deeb, pediu aos juízes que o tribunal escute o testemunho das 1.631 pessoas que apresentaram acusações contra os detidos.
Também solicitou que convoque o chefe do Conselho Supremo das Forças Armadas egípcias, Hussein Tantawi, para tomar seu depoimento, já que assumiu a responsabilidade do país em 28 de janeiro, quando Mubarak pediu ajuda ao Exército para controlar os protestos, segundo o advogado.
O comparecimento de Mubarak diante do tribunal era dúvida até o último momento, devido a seu delicado estado de saúde.
O ex-presidente estava internado em um hospital de Sharm el Sheikh, no Mar Vermelho, sob prisão cautelar desde que sofreu um ataque cardíaco durante um interrogatório na Justiça em 12 de abril.