O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou na noite deste domingo que republicanos e democratas do Senado e da Câmara dos Representantes (deputados) chegaram a um acordo para elevar o teto da dívida do país e evitar uma moratória parcial, que poderia ocorrer a partir da terça-feira. O consenso permitirá que Tesouro empreste mais dinheiro para manter os compromissos, em troca de cortes de gastos governamentais de US$ 1 trilhão - valor que deve chegar a US$ 2,4 trilhões em dez anos.

"Gostaria de anunciar que os líderes dos dois partidos em ambas as câmaras chegaram a um acordo que irá reduzir o déficit e evitar um default (não pagamento da dívida), um default que teria efeitos devastadores em nossa economia", disse Obama em declarações na Casa Branca. Ele também lamentou a demora e a "bagunça" nas negociações, e agradeceu aos americanos por ajudarem na pressão sobre os políticos.

O acordo, no entanto, ainda deve ser votado pelos parlamentares, mas isso deve ocorrer apenas na segunda-feira. Enquanto isso, os legisladores revisarão o novo plano. O acordo foi negociado a portas fechadas entre a Casa Branca e o líder da minoria republicana, Mitch McConnell. Tanto o presidente Obama como o vice-presidente Joe Biden tiveram um papel ativo nas conversas. "Não é o melhor acordo do mundo, mas mostra como mudamos em termos de debate nesta cidade", afirmou Obama.

No Congresso americano, líderes do Senado - com maioria democrata - e a Casa dos Representantes - liderada pelos republicanos - informaram que apresentarão para suas bases o rascunho do plano na segunda-feira, antes da votação final para aprovar o acordo. "Não terminamos ainda: quero pedir aos membros de ambos os partidos que façam a coisa certa e apoiem esse acordo com seus votos nos próximos dias", disse Obama, que corre contra o tempo antes do prazo de meia-noite de terça-feira.

Obama não entrou em detalhes sobre os números do plano, mas ele assegurou que os cortes de gastos colocarão as despesas domésticas no "nível mais baixo anual desde que Dwight Eisenhower era presidente" (1953-1961), mas "a um nível que nos permitirá fazer investimentos necessários para criar emprego, em setores como o educativo ou o de pesquisa". Nos próximos meses, o presidente vai continuar comunicando aos legisladores seus argumentos em defesa de um "plano equilibrado", que acabe acrescentando retoques ao acordo atual para "finalizar o trabalho".

Obama reconheceu que este "não é o acordo que teria preferido". "Acho que poderíamos ter feito as decisões difíceis que eram necessárias atualmente, e não através de um comitê especial no Congresso", disse. No entanto, comemorou que o acordo encerre a crise de dívida que Washington impôs aos Estados Unidos e assegure que esta não volte a se repetir "em seis ou 12 meses", já que garante o aumento do teto da dívida até o final de 2012, ano eleitoral. "Este processo foi caótico, e durou demais", sentenciou o presidente. "Estive preocupado sobre seu impacto na confiança nos negócios, no consumo, e na economia no último mês".

No entanto, agradeceu aos líderes do Congresso e ao povo americano sua colaboração para se conseguir o acordo, e lhes pediu que trabalhem para votá-lo e tornar o plano uma realidade nos próximos dias. Pouco antes, o líder da maioria democrata no Senado dos EUA, Harry Reid, convocava seus companheiros de partido nessa câmara para as 11h de segunda-feira (12h de Brasília), para analisar o acordo.

"Minha mensagem ao mundo é que esta nação e este Congresso estão avançando juntos", disse Reid. Por sua vez, McConnell disse que convocou também os senadores republicanos, e comemorou que exista agora "um marco pronto para ser revisado e que garantirá um corte significativo à despesa de Washington".

Entenda
No último dia 16 de maio, os Estados Unidos atingiram o limite legal de endividamento público - de US$ 14,3 trilhões (cerca de R$ 22,2 trilhões). Na ocasião, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, usou ajustes de contabilidade, assim como receitas fiscais mais altas que o previsto, para seguir operando normalmente, mas só pode continuar dessa forma até a meia-noite de terça-feira.

Segundo levantamentos do governo, o país não teria mais dinheiro disponível para honrar seus compromissos no próximo dia 2 de agosto. Líderes empresariais e financeiros advertiram que o não cumprimento dos pagamentos se traduziria em consequências catastróficas para a frágil economia americana, que ainda luta com um persistente desemprego de 9,2% na esteira da crise global de 2008.