A organização Repórteres sem Fronteiras (RSF) manifestou nesta terça-feira sua preocupação pela situação dos jornalistas no Paraguai, confrontados com o crime organizado, muito presente sobretudo nas regiões de fronteira, e reivindicou uma série de reformas urgentes para melhorar as condições de trabalho no país.

"Os jornalistas, especialmente os das províncias localizadas na fronteira, desenvolvem seu trabalho de forma isolada e sem recursos, obrigados a encontrar fontes entre autoridades frequentemente envolvidas em esquemas de corrupção", alertou a RSF em relatório.

Ao término de uma missão executada entre os dias 3 e 10 de julho junto ao Fórum de Jornalistas Paraguaios (Fopep, na sigla em espanhol), a organização de defesa dos profissionais dos meios de comunicação reconheceu que a violência contra estes não é tão grave como no México, Colômbia ou outros países centro-americanos.

A razão, no entanto, é "uma forte autocensura alimentada com pressões diretas", explicou a organização, que também criticou a "falta de apoio das redações a seus correspondentes" e "uma quase completa impunidade judicial nos casos mais graves".

A RSF admitiu que neste cenário há "alguns motivos para esperança", atribuindo-a à solidariedade entre os jornalistas paraguaios com seus colegas brasileiros e argentinos, assim como "à intenção de transparência do governo de Assunção", que estimula a mobilização sobre "temas delicados".

Em todo caso, a organização propôs uma série de "iniciativas urgentes", começando por uma reforma judicial e penal para "um melhor acompanhamento administrativo da atividade dos magistrados e dos policiais" e que ponha fim à impunidade nos assassinatos de jornalistas e outros graves atentados ao direito de informar.

Outras propostas são uma lei que garanta o controle das políticas públicas, uma legislação "mais clara" sobre o financiamento dos meios de comunicação para protegê-los de "qualquer operação de infiltração ou lavagem de dinheiro pelo crime organizado" e uma limitação dos processos judiciais com reivindicações financeiras "exorbitantes" contra os informadores ou seus empregadores.

Em sua missão, a RSF constatou que o Paraguai, além de ser o primeiro produtor de maconha na América, foi eleito por organizações criminosas como "plataforma" para o tráfico de drogas, de armas e para a prostituição.

"O país cedeu às máfias internacionais, em particular aos cartéis brasileiros, que o transformaram em sua retaguarda", relata as conclusões do estudo.