As autoridades de Cartum vão considerar estrangeiros todos os cidadãos da nova República do Sudão do Sul que viverem em território sudanês a partir de abril do ano que vem, informaram nesta terça-feira fontes oficiais.
O anúncio foi feito pelo chefe do Departamento de Passaportes e Registro Civil do Sudão, Adam Dalil, em comunicado divulgado em Cartum.
"Aos cidadãos do Sul que residem no Sudão, foi-lhes outorgado um prazo de nove meses, iniciado em 9 de julho, data da independência do Sul, para que sua situação seja regularizada, já que depois lhes serão aplicadas todas as leis que se aplicam aos estrangeiros", indicou o responsável sudanês.
Segundo números de organizações estrangeiras que atuam no Sudão, o número de cidadãos provenientes do Sul residentes nesse país supera os 2 milhões, ou seja, um quarto da população do Sudão do Sul.
Cerca de 290 mil cidadãos originais do Sul retornaram à terra natal entre janeiro passado e as poucas semanas que precederam à declaração de independência do Sul, no último dia 9.
A maioria dos cidadãos do Sul que vive no Sudão setentrional reside nos arredores de Cartum.
Em referendo realizado em janeiro passado, os habitantes do Sudão do Sul aprovaram a própria independência com 98,83% dos votos.
Até essa data, vigorou uma Constituição interina para os dois territórios. Agora, ambos devem elaborar novas Cartas Magnas.
O norte e o sul do Sudão se enfrentaram durante quase meio século em um conflito bélico, interrompido apenas por cerca de dez anos de paz, finalizado pelo acordo de 2005.