O pai do jovem afegão que admitiu ter planejado há dois anos um atentado no metrô de Nova York foi considerado culpado nesta sexta-feira por delito de obstrução à Justiça e outro de conspiração em um Tribunal Federal do Brooklyn, onde há apenas quatro dias começou o julgamento contra si. Em seu segundo dia de deliberações, o júri popular eleito para o caso determinou que Mohammed Wali Zazi, 55 anos, destruiu produtos químicos usados para fabricar bombas e conspirou para obstruir a investigação que o FBI (polícia federal americana) mantinha sobre os planos de seu filho.
Assim informou em comunicado a Promotoria do Distrito Leste de Nova York, que detalhou que Zazi enfrenta agora uma pena máxima de 20 anos de prisão para cada um dos delitos dos quais foi considerado culpado e que o juiz do caso, John Gleeson, fixou o próximo dia 2 de dezembro como a data que se conhecerá a sentença. "O acusado tentou ocultar um dos planos de atentado terrorista mais sérios dos últimos tempos. Além disso, buscou o apoio de terceiras pessoas para ajudá-lo a formar sua rede de mentiras e destruir provas-chave na investigação", disse a promotora federal do Distrito Leste de Nova York, Loretta Lynch, nesse comunicado.
O julgamento contra Zazi deu um importante giro quando seu sobrinho foi chamado para depor e reconheceu que o acusado lhe pediu que destruísse produtos químicos, máscaras e óculos com os quais seu filho, Nayibullah Zazi, planejava atentar contra o metrô nova-iorquino. Os advogados de Zazi pai, que em dezembro passado se declarou inocente dos delitos dos quais era acusado e inclusive recusou chegar a um acordo com as autoridades em troca de sua declaração de culpabilidade, argumentaram durante o julgamento que seu pouco conhecimento de inglês levou a "mal-entendidos" com seus familiares.
"Pode ser que Mohammed Wali Zazi não tivesse a obrigação legal de ajudar os investigadores, mas ele mentiu para eles, com o que se interpôs nas investigações e obstruiu a Justiça. Não cooperar é escolha de cada um. Obstruir a Justiça é um crime", disse a responsável do FBI em Nova York, Janice Fedarcyk. No comunicado da Promotoria se detalha que, além da destruição de provas, o homem mentiu ao FBI ao assegurar que desconhecia a conexão de seu filho com um imame do bairro nova-iorquino de Queens que o alertou sobre a investigação das autoridades.
Em fevereiro passado, Nayibullah Zazi se declarou culpado perante um juiz de Nova York das acusações de querer promover atentados com bombas caseiras em Nova York e pelos quais poderia ser condenado a duas prisões perpétuas e a outra pena de 15 anos de prisão. Concretamente, o jovem, de 25 anos, reconheceu que acertou com outras pessoas de viajar ao Afeganistão para se unir à insurgência talibã e lutar contra os Estados Unidos e as forças aliadas, mas que acabou sendo recrutado por Al-Qaeda.
Em seu retorno aos EUA, Zazi se instalou em Denver e em junho de 2009 começou os trâmites para comprar o material que necessitava para fabricar os explosivos. Em 10 de setembro chegou a Nova York, onde se reuniu com seus cúmplices com a ideia de montar as bombas que pretendiam explodir no metrô durante o fim de semana seguinte, mas ao perceber que estavam sendo investigados, se desfez dos explosivos e voltou para Denver, onde foi detido.