Um estudo realizado pela Agência Nacional de Águas (ANA) indica que 55% dos municípios brasileiros precisam investir R$ 22,2 bilhões em abastecimento até 2015 para garantir a oferta de água aos habitantes. As ações de abastecimento devem estar integradas às de saneamento básico, destacam os envolvidos no levantamento apresentado nesta terça-feira.
Em relação às 5.565 cidades analisadas, 45% têm abastecimento considerado satisfatório, 46% requerem ampliação do sistema e 9% precisam de um novo manancial. Se for considerada a população desses municípios, no entanto, apenas 24,1% são atendidas de maneira satisfatória, enquanto outra fatia de 42,5% precisará de ampliação do sistema de abastecimento para garantia da oferta de água e 33,4% precisarão de um novo manancial.
Segundo o levantamento, os investimentos em coleta e tratamento de esgotos devem ser destinados a 2.926 municípios para evitar o comprometimento da qualidade da água dos mananciais. "Os baixos índices de coleta e tratamento de esgotos contribuem para o agravamento dos problemas relacionados com a incidência de doenças", diz o relatório.
A agência informou ainda que foram aplicados R$ 152,2 milhões nos últimos dez anos no tratamento de esgotos. Em 2010, foram liberados R$ 20,1 milhões. Desde o início do Programa Despoluição de Bacias Hidrográficas (Prodes), em 2001, os recursos foram distribuídos em 42 contratos, sendo que 28 deles estão concluídos ou com certificação em curso. No período de certificação, a ANA acompanha o desempenho operacional das estações de tratamento e verifica o atendimento às metas de despoluição.
Dados da agência sobre saneamento e abastecimento em áreas urbanas entre 2004 e 2008 mostram que a oferta de água é grande, mas o tratamento, insatisfatório. O abastecimento atingiu uma cobertura de 95,4% em 2004 e 94,7% em 2008, com a ressalva de que os dados levam em conta a existência de rede de água, o que não significa que a oferta chega à população. A colega de esgotos domésticos, contudo, que ficou em 50,3% em 2004, caiu para 47,9% em 2005 e chegou a 50,6% em 2008. No caso do tratamento de esgotos domésticos urbanos, o índice de atendimento ficou em 31,3% em 2004 e passou para 34,6% em 2008.