A imprensa britânica afirma nesta quinta-feira que um primo do brasileiro Jean Charles de Menezes, morto pela polícia londrina em julho de 2005, pode ter sido vítima dos grampos ilegais realizados pelo tabloide britânico "The News of the World".
O número de telefone de Alex Pereira estaria em um dos documentos apreendidos na casa do detetive particular Glenn Mulcaire.
Mulcaire foi contratado pelo tabloide para grampear ilegalmente telefones de políticos, celebridades e funcionários da família real em busca de informações exclusivas.
Em novembro de 2006, ele e o editor de assuntos reais do jornal, Clive Goodman, admitiram ter planejado interceptar comunicação envolvendo a família real. Mulcaire admitiu ainda outras cinco acusações de interceptação ilegal de mensagens de voz e foi condenado a seis meses de prisão (Goodman recebeu pena de quatro meses de prisão).
Segundo o site de notícias "Politics", o primo do eletricista foi informado pela polícia britânica de que seu número de telefone está envolvido na investigação. Não há evidências, até o momento, de que o telefone tenha sido efetivamente grampeado.
Jean Charles foi morto depois que agentes policiais o confundiram com Hussain Osman, que escapou com três cúmplices depois dos ataques terroristas frustrados de 21 de julho de 2005, uma ação que tentava repetir os atentados de 7 de julho, que mataram 52.
A morte do brasileiro foi um dos episódios mais controversos da polícia londrina, acusada de uma sucessão de erros na ação. O caso chegou a ir a julgamento, mas o júri considerou que não havia provas suficientes de que Jean Charles foi morto em ação ilegal.
ESCÂNDALO
Caso seja confirmado, a família de Jean Charles será apenas a mais recente das vítimas do esquema de grampos do tabloide.
Há anos há denúncias e relatos de que repórteres do tabloide acessaram ilegalmente mensagens de telefones de políticos, celebridades e membros da família real para obter informações exclusivas.
Nas últimas semanas, o escândalo ganhou novas proporções com denúncias de que vítimas de crimes e até familiares de soldados mortos nas guerras do Afeganistão e Iraque foram grampeados. Há ainda relatos de que o tabloide teria pago propina a policiais por informações.
Nesta semana, a comandante da Operação Weeting, que investiga os grampos, Sue Akers admitiu ao Parlamento que apenas 170 pessoas foram contatadas até agora de uma lista de 3.870 nomes, 5.000 telefones fixos e 4.000 celulares.
O "News of The World" pertencia ao grupo News Corporation (News Corp.), um dos maiores conglomerados mundiais de mídia, pertencente a Rupert Murdoch.
O tabloide era o jornal mais vendido aos domingos no Reino Unido, com uma circulação média de quase 2,8 milhões de exemplares. Sua última edição, com o título "Obrigado e Adeus", circulou no domingo passado (10), após decisão de Murdoch de fechar a publicação de 168 anos.
O escândalo também teve repercussão nos negócios de Murdoch. Ele se viu obrigado a retirar a oferta de adquirir a totalidade das ações do canal pago BSkyB, da qual já possui 39%.