Preso por agentes da Corregedoria Interna da Polícia Civil, nesta segunda-feira, em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro, por envolvimento em um esquema de escutas telefônicas ilegais, o policial civil José Maurício Bellini de Andrade, 39 anos, afirmou ter muitos clientes e que "pessoas importantes" como deputados e esportistas fariam parte de sua lista. "Tenho muitos clientes, muita gente importante. Empresários, gente normal, esportistas, políticos, todos os que têm problemas com adultério", disse.

De acordo com os policiais, José Maurício é policial civil há 14 anos e era lotado na 13ª DP. Sua agência de detetives ficava na avenida Nossa Senhora de Copacabana e operava há cerca de cinco anos. De acordo com as investigações, ele contratava um técnico de telefonia que agia com um carro da Oi e era o responsável pelos grampos. O preço pago pelos clientes era de R$ 2 mil por 15 dias de escutas telefônicas.

Ele negou trabalhar de forma ilegal e disse que é inocente. "Eu sou inocente e estou sendo preso injustamente. Eu desenvolvo um trabalho de investigação particular, em paralelo à polícia nas horas vagas e não sei o motivo de estar sendo envolvido nisso", disse, na delegacia.

Mesmo alegando que é vítima de injustiça, o policial admitiu fazer escutas telefônicas. "Fazemos gravações telefônicas da seguinte maneira: se você tem sua casa e o telefone está no seu nome, você diz que quer monitorar o que seu filho fala no telefone ou o que a empregada fala que eu instalo um aparelho diretamente no computador da pessoa. Agora fazer desvios para terceiros, isso não", afirmou.

A mesma operação prendeu outros três homens, ainda não identificados, que fariam parte da quadrilha e ofereceriam os serviços de detetive em sites. A empresa era contratada por cônjuges que suspeitavam de traição e companhias que pretendiam descobrir segredos da concorrência.

José Maurício foi localizado após três meses de investigação. Em seu apartamento, os policiais apreenderam CDs, DVDs, um computador, documentos e R$ 8 mil, além de duas motocicletas - uma Suzuki V-Strom DL650 0 Km e uma Suzuki Burgman i, ambas sem placa.

No momento da prisão, José Maurício tentou se livrar de algumas provas que o incriminariam jogando quatro telefones celulares pela janela. Os aparelhos caíram no em um prédio em frente e foram apreendidos. Todos os presos e o material recolhido foram levados para a sede da Corregedoria.