Os bancos internacionais, pressionados pelos governos europeus a ajudar a Grécia no segundo socorro financeiro, discutiram nesta quinta-feira a possibilidade de recompra de títulos públicos gregos. Mas ainda não chegaram a um consenso.

A proposta francesa foi enfraquecida pelo alerta da agência de classificação de risco S&P (Standard & Poor´s) de que iria considerá-la um calote.

Executivos de bancos internacionais se reuniram com o BCE (Banco Central Europeu) e altos funcionários do governo grego nesta quinta-feira em Roma, segundo fontes do Tesouro italiano. Os grandes bancos são representados pelo IIF (Instituto Internacional de Finanças).

Uma outra fonte próxima às discussões disse que o banco alemão Deutsche Bank também participou.

A proposta francesa era de que os bancos trocassem títulos que venceriam até o fim de 2014 por novos papéis com vencimento em até 30 anos. Cerca de 70% da dívida pública grega nas mãos dessas instituições financeiras entrariam no plano.

SEM ACORDO

Os bancos enfrentam dificuldades de fechar um acordo sobre a participação privada à Grécia, sem que fosse considerado um calote pelas agências de classificação de risco.

O IIF disse que o grupo discutiu "possibilidades de recompra da dívida", mas não elaborou a proposta.

Em um comunicado, o IIF já havia mencionado a possibilidade de recompra de títulos, que poderia, junto com ajustes fiscais na Grécia, começar a reduzir o serviço da dívida do país, ou seja, os juros.

Mas os bancos continuam divididos sobre como conduzir essa ajuda à Grécia. A reunião desta quinta-feira seguiu o mesmo ritmo da organizada na quarta-feira em Paris, em que foram discutidos "um cardápio de opções", segundo Charles Dallara, diretor-gerente do IIF, lobista dos bancos nessa discussão.

Nesta quinta-feira, o ministro das Finanças da Holanda, Jan Kees de Jager, disse que os bancos privados terão que ser pressionados a participar do socorro à Grécia já que um acordo voluntário não parece realista.