Depois que o jornal russo Kommersant anunciou que Muammar Gaddafi está disposto a deixar o poder em troca de garantias de segurança, o governo líbio lançou comunicado dizendo que não está negociando a renúncia do líder, há mais de 40 anos no poder, disse o porta-voz Moussa Ibrahim à agência de notícias Reuters nesta terça-feira (5).

- Informações sobre negociações a respeito de Gaddafi renunciar ou buscar um refúgio dentro ou fora do país são simplesmente inverídicas. Gaddafi não é negociável, esta é a nossa posição de princípio, e o futuro da Líbia será decidido pelos líbios.

Ibrahim acrescentou que Gaddafi “é um símbolo histórico, e os líbios vão morrer para defendê-lo”.

Segundo o porta-voz, o que ocorreu foram negociações sobre um cessar-fogo, ajuda humanitária, e o início de um diálogo entre os líbios.

- E então o quarto estágio, que é um período de transição a respeito da mudança política a ser decidida pelos líbios.

O governo líbio havia informado nesta segunda-feira (4) que manteve conversas na Itália, no Egito e na Noruega com dirigentes da oposição para buscar uma solução pacífica para a guerra civil iniciada há cinco meses.

A Líbia disse que representantes dos governos anfitriões haviam testemunhado os encontros, algo que a Itália negou.

Ibrahim, no entanto, insistiu que "houve várias reuniões em Roma, e trata-se de conversas genuínas, e um membro do governo italiano compareceu às reuniões."

Otan defende que ONU administre transição líbia

Ainda nesta terça, o secretário-geral da Otan (aliança militar do Ocidente), Anders Fogh Rasmussen, defendeu por que a ONU, e não a aliança, administre a transição líbia à democracia após a renúncia do ditador Muammar Gaddafi.

- Nós não vamos propor papel de liderança no período pós-Gaddafi. Gostaríamos que a ONU coordene a ajuda ao povo líbio na transição à democracia.

Rasmussen ressaltou que "o futuro da Líbia deve ser determinado pelos líbios" e que, "certamente, para satisfazer as demandas do povo líbio Gaddafi deve deixar o cargo".

 

O chefe aliado destacou que os insurgentes apresentaram recentemente um Mapa do Caminho para a paz, que "merece toda a confiança", já que reflete os interesses de todos os líbios.

Acrescentou que o plano da oposição líbia garante a segurança nacional após a saída de Gaddafi e propõe evitar um vazio de poder.

O secretário-geral aliado, que na véspera defendeu o fornecimento de armas aos insurgentes, negou que a Otan viole o mandato internacional na Líbia e descartou a chegada de tropas aliadas ao terreno.

França não vai mais jogar armas para rebeldes líbios

Sobre o tema, o ministro francês da Defesa, Gérard Longuet, afirmou que já não é necessário que a França jogue armamento de paraquedas para a rebelião líbia, como fez no início de junho.

- Está surgindo uma organização política diferente a de Trípoli. Por esta razão já não é necessário jogar armas. Existem territórios que estão organizando sua autonomia.

No fim de junho, a França confirmou que, no início desse mês, aviões franceses jogaram de paraquedas armas leves para os rebeldes líbios nas montanhas de Yebel Nafusa, sudeste de Trípoli.

No fim de junho, Paris também reconheceu ter entregado metralhadoras e lança-foguetes à rebelião líbia.