Uma ligação da camareira, que acusa o ex-diretor-gerente do FMI Dominique Strauss-Kahn de estupro, ao seu namorado 28 horas após ela prestar queixa, alertou os investigadores de Manhattan. Ela dizia ao homem, que está detido em uma prisão para imigrantes no estado do Arizona, para que ele não se preocupasse, pois o francês “teria muito dinheiro”. O telefonema somou-se a uma série de mentiras e atitudes suspeitas da moça, que provocou uma reviravolta no caso e culminou com a libertação de DSK, na última sexta-feira.
De acordo com o jornal The New York Times, a conversa foi no dialeto fulani, da Guiné, país de origem de Nafissatou Diallo. A tradução, contudo, só foi concluída na última quarta-feira. “Ela dizia frases de efeito, como: ‘Não se preocupe, esse sujeito tem muito dinheiro. Eu sei o que estou fazendo’”, revelou um oficial ao diário americano.
O telefonema levantou a suspeita de que a camareira do Sofitel de Nova York quisesse obter dinheiro de Strauss-Kahn. A informação foi mais um elemento a abalar a credibilidade da acusadora, provocando uma reviravolta no caso. Na última sexta-feira, a promotoria informou que a moça havia mentido repetidas vezes em seu testemunho. Originalmente, ela disse que, após ser atacada, esperou em um corredor até que DSK saísse do quarto. Em seguida, admitiu que depois do episódio, limpou um quarto ao lado e retornou à suíte do francês. Só então, teria relatado ao seu supervisor que havia sido atacada.
Outras divergências - Além da inconsistência em seu depoimento, segundo o NYT, a camareira também teria mentido sobre outras informações pessoais. Em seu requerimento para receber asilo nos Estados Unidos, ela teria fabricado uma declaração com a ajuda de um homem que lhe deu uma gravação para memorizar suas justificativas para sair de Guiné. Ela ainda admitiu que mentira sobre ter sido vítima de uma gangue de estupradores em seu país.
Strauss-Kahn - A Justiça mandou libertar Dominique Strauss-Kahn, na última sexta-feira. Os promotores chegaram a um consenso e o tribunal decidiu soltá-lo e devolver os 6 milhões de dólares que ele tinha pago de fiança. O ex-chefe do FMI estava cumprindo prisão domiciliar em uma casa de luxo em Nova York.
DSK foi preso em 14 de maio no aeroporto internacional John F. Kennedy, em Nova York. Uma semana depois, foi colocado em prisão domiciliar, obrigado a usar uma pulseira eletrônica e ser vigiado 24 horas por dia por guardas armados e um sistema de câmeras que tinha de pagar de seu próprio bolso, com custo estimado em mais de 200.000 dólares por mês.