O advogado do estudante de direito Lucas Bomtempo Correa Leite, de 19 anos, suspeito de abrir fogo com uma espingarda de chumbinho contra um grupo de crianças em Santo André, no ABC, disse nesta sexta-feira (24) ao G1 que o universitário pratica o esporte conhecido como airsoft. As armas apreendidas pela polícia são, segundo Felipe Augusto de Oliveira Vibian, para a prática do jogo, que simula ações policiais ou militares de combate com réplicas de armas.

Vibian afirmou também que a arma calibre 32 encontrada na casa dele era uma garrucha velha, assim como os cinco projéteis do revólver. “Nem a arma nem os projéteis são capazes de fazer disparos. No próprio boletim de ocorrência, a arma está como enferrujada, niquelada e velha”, disse. “Assim que a perícia provar isso, ele vai ser colocado em liberdade”, afirmou.

O amigo de Lucas, Ricardo Moura Paulo, esteve na delegacia no início da tarde desta sexta. Ele disse que pratica o airsoft com o suspeito. Segundo ele, o esporte é praticado com armas autorizadas pelo Exército e é parecido com o paintball, só que são disparados projéteis de PVC. A intenção, segundo ele, é acertar o "rival" sem machucá-lo.

“A arma utilizada é de pressão com propulsão de molas e projétil de PVC de 6 mm. Praticamos em campo próprio. As armas parecem com armamento de verdade, só que elas tem as pontas vermelhas ou laranjas”, disse.

Segundo ele, são usados equipamentos de segurança, como uma roupa apropriada, quando há a prática. “Um machucado com projétil de PVC, no entanto, só provoca vermelhidão no local”, disse.

Na manhã desta sexta, o aluno foi transferido do 1º Distrito Policial, de Santo André, onde o caso foi registrado, para a cadeia pública da cidade. O advogado afirmou que deve entrar com um pedido de liberdade provisória na Justiça para que o estudante de direito responda solto aos crimes de lesão corporal e porte ilegal de armas.

Prisão
O rapaz foi preso em flagrante pela polícia na tarde de quinta-feira (23), quando pais das vítimas disseram ter visto alguém atirar contra as crianças que brincavam na praça do alto de um prédio.

O ataque ocorreu em um parque da Vila Assunção, região central de Santo André. Segundo a Polícia Civil, o universitário confirmou ter atirado, mas afirmou em seu depoimento que testava a arma contra uma construção e não se lembrava de ter machucado as crianças.

No apartamento do estudante de direito, a polícia encontrou uma coleção de armas.

As três meninas que ficaram feridas foram levadas para o hospital, medicadas e liberadas.
Vizinhos do estudante contam que ele é um rapaz educado, filho de médicos e que acaba de entrar na faculdade. O jovem mora no 14º quarto andar de um prédio que fica em frente à praça.