Uma comissão de vereadores de Campinas, no interior de São Paulo, decidiu nesta segunda-feira dar prosseguimento ao processo de cassação do prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT). Segundo a Câmara Municipal, o prefeito entregou sua defesa formal há cinco dias. Ele deve ser ouvido no dia 29 de junho, mas pode se recusar a falar.

Conforme o presidente da comissão, vereador Rafa Zimbaldi (PP), no mesmo dia deverão prestar depoimento, se quiserem, 20 pessoas arroladas por Santos como testemunhas e também as que vierem a ser indicadas pelo vereador Artur Orsi (PSDB), autor do requerimento que fez a denúncia contra o prefeito. Ele é suspeito de envolvimento com irregularidades em contratos da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa).

A comissão terá 90 dias, a contar do dia 31 de maio - data em que o prefeito foi notificado sobre o processo - para concluir se pede ou não o impeachment de Santos. Com o pedido, a cassação terá de ser votada em plenário e precisa de dois terços de aprovação dos 33 vereadores da Câmara.

Na defesa entregue à Câmara, o advogado do prefeito, Alberto Rollo, afirmou que o Ministério Público nunca fez qualquer acusação contra seu cliente. "A denúncia diz mais ou menos o seguinte: a imprensa local está publicando um monte de coisas que as pessoas fizeram. Então, se o prefeito é o responsável maior pela prefeitura, ele tem que ser cassado", disse.

O processo que pede o impeachment do prefeito foi aprovado por unanimidade na Câmara três dias depois de o Ministério Público Estadual e a Corregedoria da Polícia Civil deflagrarem uma operação que atingiu autoridades da prefeitura. Vinte pessoas foram presas, entre elas o vice-prefeito, Demétrio Vilagra (PT), e dois secretários municipais, Carlos Henrique Pinto (Segurança Pública) e Francisco de Lagos (Comunicações). Todos respondem ao processo em liberdade. As prisões foram determinadas pela Justiça com base na apuração de irregularidades em contratos da Sanasa, feita pelo MPE.

As denúncias partiram do ex-presidente da Sanasa Luiz Augusto Contrillon de Aquino, que, com o benefício da delação premiada, apontou aos promotores como funcionava a suposta operação de tráfico de influência. Segundo a investigação, a primeira-dama e ex-chefe de gabinete, Rosely Nassin Jorge Santos, é a chefe do esquema de corrupção.