Ao discursar na cerimônia de posse dos novos ministros das Relações Institucionais e da Pesca, a presidente Dilma Rousseff (PT) valorizou a gestão técnica, mas ressaltou que a política constitui a base das decisões governamentais.
"No meu ponto de vista, não existe dicotomia entre governo técnico e político. Valorizo muito a capacidade técnica e a gestão eficiente, até porque nenhum país do mundo conseguiu elevado padrão de desenvolvimento sem eficiência nas suas atividades governamentais e absorção das técnicas mais avançadas disponíveis. Simultaneamente, tenho a convicção que as decisões políticas constituem a base das decisões governamentais", afirmou Dilma.
Na última semana, três pastas passaram a ter novo comando, duas delas fundamentais para o governo: a Casa Civil e a Secretaria de Relações Institucionais. A primeira, após a demissão de Antonio Palocci, em meio a denúncias sobre o aumento do seu patrimônio, passou para as mãos da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que deverá ter uma gestão mais técnica. Ideli Salvatti tomou posse nesta segunda no cargo de articuladora política do governo, no lugar de Luiz Sérgio, criticado pela fraca atuação na função que exige bom diálogo com a base governista no Congresso.
Luiz Sérgio assumiu o lugar de Ideli à frente do Ministério da Pesca. Dilma valorizou a base governista, dizendo que o governo "não é só o Poder Executivo, mas a ampla coalizão que soubemos compactuar e que representa, antes de mais nada, o povo que nos elegeu".
Ela disse ainda que a importância que o governo atribui à atividade política "se reflete na compreensão de que a continuidade das grandes transformações necessárias ao desenvolvimento econômico e social do Brasil só podem nascer da negociação, da articulação de interesses e da nossa capacidade de identificar afinidades e convergências onde à primeira vista parece existir só conflito e diferença".
Nos primeiros meses do governo Dilma Rousseff, a maioria aliada na Câmara e no Senado conseguiu aprovar sem grandes dificuldades a nova política do salário mínimo. A primeira grande derrota veio com a votação do Código Florestal na Câmara dos Deputados, aprovado com uma emenda apresentada pelo PMDB, partido do vice-presidente Michel Temer, que não tinha a concordância do governo.