As afirmações do ex-chefe militar dos sérvios da Bósnia, Ratko Mladic, de que está doente em fase terminal, não foram confirmadas até o momento por exames médicos, declarou em Haia nesta quarta-feira (8) Nerma Jelacic, porta-voz do TPII (Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia) durante entrevista coletiva semanal.

- O que eu posso dizer sobre as afirmações de que sofre de uma doença em fase terminal ou grave é que, segundo o regulamento, os médicos do estabelecimento penitenciário devem informar ao secretário do tribunal sobre qualquer indício de uma situação na qual a vida corra risco.

Segundo ela, "até agora não se apontou nada semelhante com relação a Mladic, embora ele tenha sido submetido a exames médicos".

Mladic é acusado de perseguição, extermínio, assassinato, deportação, atos desumanos e sequestros cometidos durante a guerra da Bósnia (1992-1995), que deixou 100 mil mortos e 2,2 milhões de refugiados.

Na sexta-feira passada ele disse em sua primeira audiência no tribunal que é "um homem muito doente".

Veja quais acusações Mladic enfrenta

A seguir, um resumo dos crimes de guerras atribuídos à Ratko Mladic pelo TPII:

- Genocídio e cumplicidade em genocídio: Por liderar forças sérvias bósnias, que massacraram 8.000 homens e meninos muçulmanos em Srebrenica, em 1995, e realizaram uma limpeza étnica de não-sérvios em cidades e vilas na Bósnia durante a guerra, entre 1992 e 1995;

- Perseguição: Por matar, torturar, estuprar, deportar e ilegalmente aprisionar muçulmanos e croatas;

- Extermínio, assassinato, tratamento cruel: Pela matança generalizada de não-sérvios nas cidades e vilas atacadas pelas forças sérvias bósnias e pela campanha mortal e bombardeios durante o cerco de 44 meses à capital bósnia, Sarajevo;