"O povo cubano está se manifestando. A liberdade e a democracia se avizinha em Cuba", disse nesta sexta-feira Reina Luisa Tamayo, 62 anos, mãe do preso político que morreu vítima de uma greve de fome, Orlando Zapata.

Em seu primeiro dia de exilada em Miami, junto da família, e levando uma urna com o corpo cremado de Orlando Zapata, ela afirmou que dará continuidade à luta contra o governo comunista de Havana, agora ao lado das organizações de exilados de Miami, feudo do anticastrismo.

Durante entrevista à imprensa, disse que "a oposição luta arduamente em Cuba, onde o povo está perdendo o medo".

As cinzas de Orlando Zapata, convertido em símbolo da oposição contra o governo, "serão colocadas num mausoléu" possivelmente na Pequena Havana de Miami, junto a um monumento aos caídos na invasão da Baía dos Porcos, comentou Tamayo.

Zapata, um pedreiro de 42 anos, foi detido em 2003 por delitos como desordem pública e desacato, tendo sido condenado a mais de 30 anos de prisão.

Morreu no dia 23 de fevereiro de 2010 depois de uma greve de fome de 85 dias para exigir melhores condições carcerárias.

Seu falecimento, num hospital de Havana, motivou fortes críticas ao governo comunista, vindas principalmente de Estados Unidos e Europa, e reativou a oposição interna em Cuba.

O governo cubano procedeu, meses depois, a uma libertação gradual de mais de uma centena de prisioneiros políticos, fruto de um diálogo com a Igreja Católica local.

"O que aconteceu com minha família acabou. Detiveram até minha neta, de 12 anos", disse Tamayo.

A menina, Lizette María Ortiz, participou da entrevista à imprensa levando uma bandeira cubana; os demais familiares mostravam cartazes com os dizeres "Zapata Vive!" e em defesa da democracia e da liberdade em Cuba.

Grupos do exílio prometeram que vão ajudar a família em sua reinserção. A ONG Comitê Internacional de Resgate, que se encarregou de recebê-la, ofereceu apartamento, comida, roupa, móveis, emprego e aulas de inglês.