Belo Horizonte tem, desde março, uma lei que proíbe os profissionais da saúde de usarem o jaleco fora do ambiente de trabalho. Mas a regra não prevê nenhuma punição aos infratores. Hoje, reportagem da Folha mostrou que o governo de São Paulo também aprovou lei semelhante.
Em BH, o artigo do projeto de lei da vereadora Maria Lúcia Scarpelli (PC do B) que determinava a fiscalização foi vetado pelo prefeito Márcio Lacerda (PSB). "Lamento esse veto, que tirou a força da lei, mas, mesmo assim, houve uma mudança de atitude dos profissionais", afirma ela.
O veto foi apreciado pelo plenário da Câmara e mantido.
Para a vereadora, médicos, enfermeiros e farmacêuticos se sensibilizaram com a discussão em torno do tema. "Usando o jaleco eles levam bactérias dos hospitais para as ruas e também o contrário. É temerário", afirma.
"E esse cuidado está previsto no código de ética deles (médicos). É só respeitar", diz Scarpelli. "Mas, mesmo os que estão respeitando, tiram o jaleco mas levam debaixo do braço. É perigoso mesmo assim", completa.
O enfermeiro Jonas Aleluia, 28, concorda. "Pela parte sanitária é necessário, mas os hospitais não estão preparados. Eu trabalho em dois hospitais e não tenho armário, fica difícil. Mas agora eu estou levando na mochila", afirma.
Nos arredores da região hospitalar da capital mineira ainda se vê profissionais com a vestimenta, mas quem trabalha no local notou uma diminuição.
"Antes quase nenhum tirava (o jaleco) na rua, para comer, ir ao banco, essas coisas", conta a garçonete Flávia Angélica, 22. "Agora ainda vê, mas é mais raro. Eu diria que hoje é uns 30% do que era. E tá certo, a rua é suja e eles acabam levando essa sujeira para dentro", comenta ainda.