Apesar de a Justiça do Rio ter concedido habeas corpus aos 439 bombeiros presos por ocuparem o quartel central da corporação, na manhã de hoje, um grupo de permanece acampado na frente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio)
Segundo lideranças no movimento, o grupo aguarda a chegada dos bombeiros que serão soltos ainda hoje para decidirem juntos se permanecerão mobilizados no local.
"Por enquanto, ninguém sai daqui. Esse foi um passo importante, mas vamos decidir todos juntos o que fazer daqui pra frente", afirmou o sargento Paulo Nascimento, 42, que trabalha há 20 anos na corporação.
Ontem, o governo anunciou que antecipará seis meses de reajustes salariais a bombeiros, policiais militares e civis e agentes penitenciários. Os líderes da mobilização, no entanto, disseram que só discutiriam o reajuste após a libertação dos bombeiros.
Foi enviada à Assembleia Legislativa mensagem concedendo aumento imediato de 5,58% aos 127.276 servidores ativos, aposentados e pensionistas englobados nessas quatro categorias. O impacto orçamentário será de R$ 323 milhões.
Com isso, o salário-base dos bombeiros passará de R$ 1.151 para R$ 1.215, segundo dados oficiais do governo --os bombeiros dizem que o salário-base da categoria é de R$ 950.
'Pelo que soube, esse reajuste não é condizente com o salário que reivindicamos, de R$ 2.000 líquidos. Mas agora não é isso que importa', afirma Cristiane Daciolo, 37, mulher do cabo Benevenuto Daciolo, um dos detidos desde sábado.
Além da antecipação do reajuste, o governo anunciou a criação da Secretaria de Estado de Defesa Civil, que será chefiada pelo coronel Sérgio Simões --ele já tinha sido nomeado comandante-geral do Corpo de Bombeiros no último sábado (4) e agora acumulará os dois cargos.
INVASÃO
O quartel foi ocupado na sexta passada por cerca de 2.000 manifestantes, de vários batalhões da cidade, alguns acompanhados por familiares --mulheres e crianças-- que reivindicam melhores salários. Durante quase cinco horas --das 21h às 2h-- o comandante geral da PM, coronel Mario Sergio Duarte, esteve no local negociando com os invasores. Ao longo da madrugada, alguns bombeiros deixaram o quartel.
Policiais militares do Batalhão de Choque invadiram às 6h do sábado (4) o quartel com o uso de bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo para dispersar a manifestação. O comandante do batalhão de choque, Valdir Soares, ficou ferido durante a ação. Uma criança de dois anos foi atendida no hospital Souza Aguiar por ter inalado gás e, logo após, liberada.
Os líderes da invasão ao quartel podem ser condenados a até 12 anos de reclusão, de acordo com código penal militar.
O protesto dos bombeiros ganhou o apoio de atores da novela "Morde e Assopra", da TV Globo, que gravaram depoimentos pedindo a libertação detidos.