A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) fez nesta quarta-feira seu discurso de posse na chefia da Casa Civil, destacando que foi escolhida devido a sua trajetória política e que a presidente Dilma Rousseff (PT) demonstrou apreço ao Congresso com a escolha. "Ao escolher uma senadora, a presidente manifesta o seu apreço com o Congresso Nacional. A exemplo de Dilma, acredito que a política dá sentido à técnica e que essa qualifica a politica", afirmou a nova ministra.

Ela substitui Antonio Palocci, que pediu demissão na última terça-feira. "Foi aqui na Casa Civil que a presidente Dilma mostrou sua capacidade para conduzir a nação no desenvolvimento. Pretendo trabalhar com a mesma lealdade e seriedade da presidente. Quero agir como a presidente, porque ela age com a razão e da maneira correta. Ela é um exemplo para mim e para todas as mulheres desse País", disse Gleisi Hoffmann.

"Conto com a colaboração e companheirismo de todos os ministros e ministras para enfrentar com êxito a importância dessa agenda. Estarei aqui sempre à disposição para decidir com todos, de acordo com a disponibilidade de Dilma e Michel Temer (vice-presidente). Nós, ministros de Estado, somos todos servidores desse grande projeto e é essa consciência que deve nortear as nossas ações. Sei que minha escolha é resultado do meu trabalho ao longo da vida pública", destacou a ministra.

Gleisi fez ainda um agradecimento ao marido, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, "meu companheiro de caminhada e de vida, com quem aprendi que sempre vou acertar decidindo com o coração". E aos filhos João Augusto e Gabriela: "que a mãe possa ser sempre um exemplo para vocês".

A segunda queda de Palocci
De acordo com reportagem publicada pelo jornal Folha de S.Paulo no dia 15 de maio, semanas antes de assumir a chefia da Casa Civil Antonio Palocci (PT) comprou um apartamento em São Paulo por R$ 6,6 milhões. Um ano antes, ele havia adquirido um escritório na cidade por R$ 882 mil. Com os novos bens, o patrimônio do ministro teria se multiplicado 20 vezes em quatro anos. O ministro alegou que o lucro foi gerado por sua empresa de consultoria, a Projeto, dentro da legalidade e declarado à Receita Federal. No entanto, ele alegou que cláusulas de sigilo o impediam de revelar maiores detalhes sobre os contratos ou seus clientes.

Mas a onda de denúncias continuou. Na Câmara, o PSDB levantou suspeitas sobre a liberação rápida de cerca de R$ 9 milhões em restituição do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) logo após o primeiro turno das eleições de 2010 a uma empresa, a WTorre. Os valores, relativos aos anos-base 2007 e 2008, teriam sido liberados apenas um mês e meio após o pedido, em duas operações com diferença de quatro minutos entre uma e outra. Em contrapartida, segundo a oposição, a empresa teria financiado a campanha da presidente Dilma Rousseff no valor de R$ 2 milhões. A WTorre seria uma das clientes da empresa de Palocci.

Pressionado pela oposição e pela própria base para que apresentasse uma defesa em público, Palocci concedeu uma única entrevista sobre o tema. Na noite de 3 de junho, ele afirmou ao Jornal Nacional, da Rede Globo, que sua empresa não atuou com contratos públicos. O ministro disse que trabalhou em fusão de empresas, mas que nunca junto ao Banco Central, ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) ou ao Ministério da Fazenda para resolver problemas das empresas que procuraram seus serviços.

A Procuradoria Geral da República solicitou explicações ao ministro, mas decidiu arquivar os pedidos de investigação por considerar que não houve indícios de procedimentos ilegais. Mesmo assim, a pressão política sobre Palocci não diminuiu e a articulção da oposição para aprovar uma CPI contra Palocci avançava no Congresso. Diante disso, no dia 7 de junho, o principal ministro de Dilma Rousseff pediu demissão.