Os primeiros depoimentos da Comissão Especial de Investigação da Braskem acontecem no final da manhã desta terça-feira, dia 07. Logo após a sessão, os membros da Comissão se reúnem para ouvir os representantes do Sindpetro e uma comitiva de funcionários que auxiliam o sindicato da categoria nos trabalhos de investigação das causas do acidente.
De acordo com o presidente da CEI, Marcelo Malta (PCdoB), é a primeira rodada de depoimentos. Ainda nesta terça-feira, destaca o vereador, é esperada a chegada do laudo oficial da Braskem sobre a causa das duas explosões: a primeira resultou no vazamento de cloro; a segunda vitimou cinco funcionários da indústria, sendo duas em estado grave.
Marcelo Malta destaca que na visita – realizada na sexta-feira passada – a Braskem se comprometeu em encaminhar neste dia 7 o laudo oficial do acidente. “Vamos cobrar isto deles. Queremos ter acesso ao laudo oficial de forma oficial, assim como vamos oficializar os depoimentos dos responsáveis pela indústria”, destacou.
A CEI conta com a participação de cinco membros da Casa de Mário Guimarães. Malta preside, Eduardo Canuto (PV) assume a vice-presidência, Ricardo Barbosa (PSOL) é o relator. A comissão conta ainda com Carlos Ronalsa (PP) e Davi Davino (PP).
Sindicato
De acordo com o diretor do Sindpetro, Antônio Freitas, o sindicado da categoria já teve acesso ao laudo. Freitas destaca que o documento traz o que já era esperado pela categoria, apontando como causa das explosões o excesso de exploração de uma substância conhecida como tricloramina (tricloreto de nitrogêneo). “O que vazou foi cloro, mas as duas explosões ocorreram em função da tricloromina que é um produto indesejável no processo. São feitas ações para reduzir esta concentração do produto. Por conta da concentração houve o acidente”, destacou Freitas.
Segundo ele, a explosão era inevitável. “Não houve incompetência no manuseio do equipamento”, destacou. Freitas salientou ainda que os equipamentos são novos. “Um possui três anos e outro um ano apenas. Neste caso, não corresponde à informação de que foi comprado em sucata. Não tem fundamento nesta situação”, colocou ainda.
Depoimento
Antônio Freitas salientou que também não faltaram manutenção nas máquinas. “A Braskem tem problemas de manutenção, mas não exatamente neste caso. Nunca vivenciamos uma situação tão crítica como esta e que tem nos tirado o sono. Estamos tentando fazer um acordo para que qualquer evento indesejável que ocorresse naquela planta, a direção fizesse a comunicação imediata para o sindicato”, frisou.
De acordo com ele, o acidente foi informado ao Sindpetro ainda na madrugada do sábado do ocorrido. “Eles informaram que foi uma grande nuvem de gás cloro que vazou. Chamou-nos atenção o grande número de pessoas sendo atendidas pelo Hospital Geral do Estado. Naquele momento já suspeitávamos do excesso da tricloramina. Ficamos indignados, porque teria que ser isolado a área, para saber as causas do sinistro na área. Só pode haver explosão por reação do cloro com hidrogênio, ou com a tricloramina, que é a consideramos mais grave”.
“A tricloramina pode pegar ponto de ignição e explodir até mesmo parada”, colocou. “Condenamos a postura da Braskem com relação à exposição de trabalhadores alagoanos terceirizados, em condição social precária, por conta do lucro. Nós colocamos isto, porque dos dois eventos apenas um funcionário da Braskem sofreu com o processo. Há muito tempo o sindicato vem cobrando da Braskem que reveja a questão da terceirização selvagem e desenfreada”, disse, em depoimento.
Em relação a tricloramina, segundo Freiras, a reação se dá quando é feita a extração da salgema no campo de Bebedouro. “A salmoura traz amônia junto com ela, que é enviada a Braskem. É feita o tratamento da salmoura para eliminar a amônia. Feito isto, quando parte para o processo de eletrólise para que a molécula da salgema seja quebrada e fabricada o licor de célula. Esta reação tem amônia presente. Ela fica onde fica o cloro. A mistura da amônia com o cloro leva a formação da tricloramina, o que causa a reação espontânea na área que consideramos de alta pressão”, explica.
Freitas cobra da empresa equipamentos para medir pressão e temperatura. “Estes trabalham com outros equipamentos eletrônicos, que ajudam a interromper o processo, evitando estes acidentes”, colocou. Ele classificou o sistema como vulnerável do jeito que se encontra hoje. O sindicalista também condenou a localidade onde a Braskem se encontra, chegando a afirmar que foi uma irresponsabilidade o local onde ela está instalada.
“Por mais que na época não existisse habitação ali, era o Centro de Maceió. Logo em seguida, se permitiu a construção de habitação naquela área. Agora, a Braskem precisa entender que naquele entorno existem seres humanos. O lucro da empresa com a salgema é exorbitante. O investimento na segurança da população sequer vai impactar nos lucros da Braskem”.
Os depoimentos estão sendo acompanhados pelo professor especialista da Universidade Federal de Alagoas, Paulo César Cosa de Oliveira, que vai auxiliar a CEI em relação às questões específicas.


