O ditador iemenita, Ali Abdullah Saleh, que foi submetido a uma cirurgia na Arábia Saudita para tratar ferimentos causados durante um ataque a seu palácio, voltará ao Iêmen nos próximos dias, anunciou seu vice nesta segunda-feira.

"Ele está melhorando, recuperando-se e voltará para casa nos próximos dias", disse o vice Abd-Rabbu Mansour Hadi, líder em exercício do país, segundo a agência de notícias estatal Saba.

Hadi disse que conversou com Saleh por telefone na noite de domingo e nesta segunda-feira pela manhã.

Saleh foi internado no sábado em um hospital militar de Riad, um dia após sofrer ferimentos na cabeça e no peito pelo impacto de um projétil na mesquita do palácio presidencial em Sanaa, que provocou a morte de sete oficiais dos serviços de segurança e deixou vários funcionários do governo feridos.

O palácio presidencial foi atingido por mísseis na sexta-feira, na esteira dos confrontos entre as forças de Saleh e militantes do Hashid, que transformaram Sanaa em um campo de batalha desde 23 de maio. Os mísseis atingiram a mesquita do complexo, no momento em que Saleh e vários membros do alto escalão do governo estavam rezando --sexta-feira é o dia mais importante de orações para os muçulmanos.

Sua saída do país provocou rumores de que pode não voltar, em um acordo de renúncia com o governo saudita e a comunidade internacional.

A principal aliança opositora iemenita, Encontro Partilhado, pediu nesta segunda-feira a transferência total do poder a Mansur.

Um dirigente do Encontro Partilhado disse à agência Efe que o objetivo desta proposta é garantir uma "saída pacífica" para a crise no país e que, se o pedido da oposição não for cumprido, os jovens revolucionários e opositores têm outras alternativas. Entre elas, citou a formação de um conselho transitório para dirigir o país.

Desde o final de janeiro, a oposição iemenita reivindica a queda de Saleh e a introdução de reformas políticas no Iêmen, o país mais pobre da península Arábica.

Após quatro meses de protestos populares violentamente reprimidos pelo regime de Saleh, que se nega a deixar o poder, a revolta adquiriu outra magnitude com o início de combates intensos em Sanaa entre forças leais ao presidente e partidários de Ahmar.

Os confrontos começaram quando forças de segurança tentaram invadir a residência de Ahmar em Sanaa, no último dia 23. Desde então, forças de segurança do governo e guardas tribais trocam disparos de armas pesadas e mísseis pelas ruas da capital. Mais de 150 pessoas morreram e a população de Sanaa foge em pânico, com temor de uma guerra civil.

Saleh pertence à Hashid, mas o xeque Ahmar anunciou em março passado que apoiaria a revolta popular contra o ditador. O xeque apelou a alianças históricas para trazer outras influentes tribos iemenitas, donas de milícias bem armadas, para o confronto.