A União Europeia (UE) e o Japão concordaram neste sábado em dar início a negociações para um acordo de livre comércio, num momento em que a economia japonesa enfrenta as graves consequências do terremoto seguido de tsunami de 11 de março e da catástrofe nuclear de Fukushima.

A decisão, que Tóquio desejava há tempos, foi anunciada ao término de uma cúpula em Bruxelas entre representantes da UE e o primeiro-ministro japonês Naoto Kan.

"Ainda precisamos percorrer um longo caminho, mas agora o objetivo é claro", disse o presidente da UE, Herman van Rompuy.

"Ao expressar sua intenção de trabalhar em conjunto para um acordo de livre comércio, as duas partes deram um grande passo à frente", acrescentou.

Entre outras questões, as negociações abordarão os direitos de aduana, os obstáculos extra-aduaneitos, os direitos de propriedade intelectual, as condições de concorrência e os mercados públicos, indicou Von Rompuy.

Os europeus querem principalmente que o Japão suprima as barreiras comerciais e suas restrições ao acesso aos mercados públicos a empresas estrangeiras.

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, confirmou que a UE tem a intenção de incluir estes temas na agenda das conversações, que deve ser previamente definida por especialistas do bloco europeu e do país asiático antes do início das discussões de fundo.

O acordo de livre comércio "deverá superar todos os obstáculos ao livre comércio", destacou Barroso.

A França dissera recentemente que esperava "gestos políticos" por parte das autoridades japonesas sobre este assunto.

Paris deseja "sinais tangíveis, sem os quais teremos muitas dificuldades para imaginar a abertura de uma negociação para um acordo de livre comércio, que também consideramos necessário", declarou há dez dias em Bruxelas o secretário francês encarregado do comércio exterior, Pierre Lellouche.

Neste sábado, Tóquio pediu à União Europeia que reduza suas restrições às importações de produtos alimentícios japonses impostas após a catástrofe de Fukushima, temendo a contaminação radioativa da comida.

"Solicitamos o alívio destas medidas" europeias, pedindo que sejam baseadas "em provas e fatos científicos", destacou Naoto Kan.