O dissidente cubano Guillermo Fariñas confirmou nesta sexta-feira que ele e outras 17 pessoas que foram detidas na quinta-feira em Santa Clara, no centro de Cuba, foram libertados na manhã desta sexta-feira. Fariñas explicou em declarações por telefone que sua detenção aconteceu na quinta-feira, quando ele se dirigia à unidade policial onde estava Jorge Luis García ("Antúnez") e outros opositores para pedir sua libertação.

O jornalista, psicólogo e vencedor do Prêmio Sájarov 2010 do Parlamento Europeu afirmou que ele e outros dissidentes concordaram que "quando (a Polícia) detém alguém por uma atividade pacífica, nós nos apresentamos para sermos detidos também". Segundo Fariñas, ele e seus acompanhantes se dirigiam à unidade policial quando foram interceptados por agentes a quem "dissemos que íamos nos entregar" e "nos conduziram e ficamos ali detidos".

García e os demais opositores presos tinham participado na quarta-feira de "uma marcha silenciosa" por uma rua de Placetas, onde residem, quando foram detidos pela polícia. Na opinião de Fariñas, tais detenções e ações repressivas contra a oposição interna "acontecem porque o governo cubano não aceita que a dissidência" se manifeste publicamente.

"Estão tratando de nos amedrontrar e esse é o momento para a oposição dizer que as ruas e as praças públicas são de todos os cubanos. Acho que esse é o novo cenário da luta", declarou. No ano passado, Fariñas protagonizou uma greve de fome durante mais de quatro meses em homenagem à memória do preso Orlando Zapata e para pedir a liberdade de presos políticos doentes em Cuba.

Desde janeiro, Fariñas foi preso mais de seis vezes pelas autoridades cubanas, com detenções que duraram horas ou pouco mais de um dia.