O ex-comandante militar sérvio-bósnio Ratko Mladic compareceu nesta quinta-feira a um tribunal, mas a sessão foi suspensa devido a seus problemas de saúde.

Mladic é acusado de ordenar o assassinato de mais de 8.000 muçulmanos, no pior massacre da Europa depois da Segunda Guerra. Ele foi preso nesta quinta-feira pelo governo sérvio.

O ex-general começou a ser ouvido em uma sessão fechada em um tribunal de Belgrado. Ao entrar no edifício ele aparentava andar com dificuldade e era escoltado por quatro guardas.

O advogado de defesa de Mladic, Milos Saljic, disse que o juiz interrompeu o depoimento porque o estado de saúde do militar o impedia de responder às perguntas do magistrado.

O interrogatório faz parte de um processo de extradição do acusado para ser julgado em um tribunal de Haia, onde responderá por crimes de genocídio, crimes de guerra e contra a humanidade.

Uma nova audiência está marcada para sexta-feira, quando o magistrado tentará novamente tomar o depoimento de Mladic.

Porém, o advogado Saljic disse que o general não reconhece a legitimidade do Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia.

"Ele tem consciência de que está preso, ele sabe onde está e ele não reconhece o tribunal de Haia", disse o advogado. Segundo ele, seu cliente não tem condições de saúde suficientes para ser levado à Haia.

O vice-promotor Bruno Vekaric disse que Mladic está usando uma grande quantidade de medicações, mas afirmou acreditar que ele não é instável psicologicamente.

"Minha impressão é que Mladic responde muito racionalmente a tudo que está acontecendo", disse.

A prisão de Mladic remover a principal barreira que impedia o governo sérvio de fazer parte do bloco da União Europeia.