Um racha entre os vereadores do segundo maior município alagoano está escancarando o que pode ser o maior escândalo já acontecido na Câmara Municipal de Arapiraca, acusações de improbidade, insanidade mental, roubo e até de divisão do dinheiro do duodécimo entre os vereadores.
Tudo teve início quando, após oito horas dentro da agência da Caixa Econômica Federal, na Avenida Rio Branco, no Centro de Arapiraca, os vereadores Tarciso Freire e João dos Santos, ambos do PMDB, conseguiram o extrato da conta da Câmara Municipal de Arapiraca. Os dois acusam o presidente Adalberto Saturnino de improbidade administrativa.
“Existem mais de 50 pessoas que recebem mesmo sem estar em Arapiraca. Estamos cobrando um direito que é nosso, como vereador e como cidadãos. O pedido de extrato de qualquer conta com o dinheiro público está escrito no artigo quinto da constituição”, explicou Tarciso Freire.
A expectativa de uma sessão “bombástica” como foi veiculada pelos vereadores foi frustrada, alguns vereadores se fizeram presentes na sessão, mas após pedido do vereador Josias Albuquerque (PMDB), os parlamentares se reuniram.
“Peço ao presidente a suspensão da sessão para que possamos conversar devido aos últimos acontecimentos”, falou Albuquerque, fazendo referência à acusação dos vereadores Tarciso Freire e João dos Santos, ambos do PMDB, de que o presidente Adalberto Saturnino (PMDB) de improbidade administrativa.
Menos de trinta minutos depois, Adalberto Saturnino se dirigiu até o plenário e informou que a sessão não mais aconteceria, já que a reunião não havia acabado. A notícia casou revolta entre os presentes, que consideraram “falta de respeito” contra a sociedade arapiraquense.
Apesar de informar que a reunião havia terminado, minutos depois vários parlamentares saíram da Câmara Municipal. O vereador Tarcizo Freire, um dos que deixaram a casa legislativa, contou à imprensa que a reunião discutiu sobre seu pedido e do vereador João dos Santos de ter o extrato bancário da conta da câmara.
Tarcizo Freire explicou que nesta quarta-feira pretende protocolar no Ministério Público o requerimento informando sobre as possíveis irregularidades nas contas da câmara e que caso seja comprovado improbidade administrativa do presidente Adalberto Saturnino, o parlamentar deverá tomar atitudes mais sérias, como o pedido de afastamento da presidência.
Na minha época dividíamos o dinheiro sim
“Na minha época, rachávamos o dinheiro”. A afirmação do suplente e ex-vereador Sidney Geni, em entrevista à Rádio Novo Nordeste, após o fim da sessão da Câmara Municipal nesta terça-feira, deve colocar um ingrediente a mais na atual “crise” que passa o legislativo arapiraquense.
Com o fim da sessão, informada pelo próprio presidente Adalberto Saturnino (PMDB), algumas pessoas que estavam presentes reclamaram da ação, entre eles estavam dois suplentes de vereadores, Edvanio do Zé Baixinho e Sidney Geni. O último inclusive foi entrevistado pelo radialista Nelson Filho.
“Isso é um absurdo. Eles estão ali, rachando o dinheiro”, disse Geni. Perguntado se admitia que em sua época também acontecia o “racha”, o ex-vereador foi enfático: “Existia sim”.
As declarações de Sidney Geni foram rebatidas por alguns parlamentares. O vereador João dos Santos disse que isso não existia: “Se aconteceu foi apenas com ele”. Outro parlamentar contou que o duodécimo da Câmara é dividido entre 70% da folha de pagamento e 30% da verba de custeio.
