O avião que caiu na região de Piracicaba, no interior de São Paulo, na noite de segunda-feira (16), havia passado por uma revisão, segundo informou nesta quarta (18) o presidente do aeroclube da cidade, Fernando do Vale Pavan. A vistoria ocorreu na sexta (13). Ainda segundo Pavan, o ELT, equipamento que emite um sinal em caso de choque da aeronave, não funcionou – por isso, a localização dos destroços e dos corpos das quatro vítimas foi mais demorada, ocorrendo apenas no início da tarde desta terça (17). Os destroços foram encontrados entre os municípios de São Pedro e Águas de São Pedro, a 40 km de Piracicaba.

“Ele estava em ótimo estado, passou por uma revisão de cem horas na sexta, foi feita uma revisão em Americana (interior de São Paulo). Ele estava totalmente homologado pela Anac [Agência Nacional de Aviação Civil] para voo. Estava com motor novo há quatro meses. Operacionalmente, estava perfeito”, explicou Pavan na manhã desta quarta-feira (18).

Estavam no avião o piloto instrutor, Job de Oliveira, de 36 anos, e três alunos – Jean Carlos Capelin, de 30 anos, que morava em São José do Rio Preto, interior do estado; Rodrigo Matos Gomes, de 27 anos, de Recife; e Diego Pereira da Costa, de 25 anos, de Taguatinga (DF). Capelin era quem pilotava o avião – segundo o presidente do aeroclube, ele estava do lado esquerdo do comando, enquanto o instrutor estava do lado direito. Os outros dois também eram alunos, mas apenas acompanhavam.

“O aluno [Capelin] já é um piloto, ele está se adaptando ao equipamento, ao bimotor. Ele comanda e o instrutor fica corrigindo. Ele era um bom piloto, seria instrutor no aeroclube”, disse Pavan. “Ele tinha cerca de 200 horas de voo, estava cumprindo o treinamento para poder ser piloto comercial”. Já o instrutor, Job de Oliveira, tinha cerca de 2 mil horas de voo e dava aulas no aeroclube havia cerca de dois anos.

As causas do acidente ainda são desconhecidas. Nesta manhã, três oficiais do Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos IV (Seripa IV) foram levados até o local do acidente pela FAB para colher materiais e iniciar a investigação. O laudo com as causas do acidente tem um prazo de 90 dias para ser apresentado.

“Não posso falar nada, porque as investigações vão começar. Mas o avião tinha condições boas, tinha combustível, o tempo estava aberto. As condições estavam normais. O caminho era sempre feito pelo instrutor, ele estava em contato com o controle”, disse Pavan.

Segundo o Seripa, o resultado da investigação não irá apontar culpados pelo acidente, mas apenas será feito um relatório com recomendações de segurança.

O último contato feito pelo avião foi às 22h29, após ele já ter ido a São José do Rio Preto, também no interior paulista. Ele fazia o retorno a Piracicaba. No dia seguinte, os membros do aeroclube sentiram falta da aeronave e procuraram saber se ela havia pousado em outra cidade. Como isso não ocorreu, a Polícia Militar foi acionada.

Buscas
O capitão Edgar Gaspar participou das buscas – ele pilotava o helicóptero que localizou os destroços. Após receber as coordenadas de onde o avião havia passado, a PM fez uma triangulação do local de busca. Em um primeiro sobrevoo, nada foi encontrado. “Voltamos ao ponto inicial para uma nova busca e vimos duas copas de árvore quebradas. Fizemos uma verificação mais próxima e vimos um pedaço de asa com a letra 'S'”, afirmou.

A Força Aérea Brasileira (FAB) foi então acionada para realizar o resgate, e a PM voltou a cidade para buscar o Corpo de Bombeiros. “A área é de mata, de ribanceira, de difícil acesso”, explicou o capitão.

O aeroclube permanecia fechado nesta quarta-feira e deve ser reaberto a partir de quinta-feira (19). O corpo do piloto foi enterrado nesta manhã em Piracicaba. Os corpos das outras vítimas foram encaminhados para suas cidades de origem.