Um tribunal alemão condenou John Demjanjuk a cinco anos de prisão nesta quinta-feira (12) por sua participação no assassinato de 27.900 judeus no campo de concentração nazista de Sobibor, na Polônia. Seus advogados recorrerão da sentença, e o acusado aguardará o recurso em liberdade.
O tribunal de Munique determinou que Demjanjuk, de 91 anos, era culpado de ser cúmplice no assassinato em massa quando era guarda de segurança do campo de Sobibor durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Ele chegou a ser condenado à morte por outro tribunal do Holocausto duas décadas atrás em Israel, por supostamente ter sido o notório guarda "Ivan o Terrível" do campo de concentração de Treblinka, também na Polônia. A decisão foi anulada pela suprema corte de Israel depois que novas evidências isentaram o acusado.
Mas o presidente do tribunal de Munique disse que Demjanjuk será libertado nesta quinta-feira. Ele explicou que tomou a decisão ao levar em consideração a idade do acusado, o fato de não ser mais perigoso e de não poder deixar o país por ser apátrida (não ter uma nacionalidade) e carecer de documento de identidade.
Além disso, o veredicto definitivo pode demorar vários meses, já que o acusado pode apelar da decisão.
Ex-guarda alega inocência
Nascido na Ucrânia, Demjanjuk já esteve no topo da lista do Centro Simon Wiesenthal para os criminosos de guerra nazistas mais procurados. Ele alegou que foi alistado para o Exército soviético em 1941 e depois tomado como prisioneiro de guerra pelos alemães.
Demjanjuk participou do processo judicial de 18 meses no tribunal em Munique, cidade de origem do movimento nazista de Adolf Hitler - em uma cadeira de rodas e às vezes deitado, enquanto sua família tentava argumentar que ele estava muito debilitado para participar do julgamento.
Seu filho, John Demjanjuk Jr., defendeu seu pai em um e-mail enviado antes do veredito, dizendo que o acusado era uma vítima dos nazistas e da Alemanha pós-guerra.
Os promotores enfrentaram algumas dificuldades para provar a cumplicidade de Demjanjuk, pois não havia nenhuma testemunha sobrevivente de sues crimes. A acusação dependeu fortemente dos documentos do período da guerra, particularmente do cartão de identificação nazista que os advogados da defesa disseram ser falso e criado pelos soviéticos.