Enquanto a Polícia Civil está em greve e os professores fazem carga horária menor nas escolas, os deputados estaduais de Alagoas aumentaram os próprios rendimentos em 109%. Com a medida, eles deixarão de receber R$ 9,6 mil para ganhar R$ 20 mil.
Os parlamentares derrubaram o veto do governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), que impedia os aumentos desde 24 de janeiro. O chefe do Executivo disse que a medida comprometeria a folha de pagamento do Estado. O presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas, Fernando Toledo (PSDB), apoiou a posição dos deputados, mas disse que os vencimentos não serão pagos imediatamente.
"Os benefícios carecem antes de uma tramitação legal. A mesa diretora só procederá a majoração dos subsídios dos deputados e deputadas quando o processo de implantação do plano de cargos e carreiras dos servidores estiver decidido pela Justiça do nosso Estado", disse. Os políticos discursaram a favor do reajuste e criticaram o governador pelo veto.
"Os salários dos deputados são regulados por lei federal e embora seja uma decisão que contrarie a opinião pública, é preciso que seja feita. Não podemos nos revestir de um falso moralismo", afirmou Olavo Calheiros (PMDB), irmão do senador Renan Calheiros (PMDB-AL).
"Esse caso só vem a reafirmar a necessidade de que o Poder Legislativo, sobretudo em momentos como esse, busque o lugar que lhe é reservado. Não é possível mais que essa Casa não disponha de independência financeira para que fossa fazer jus a suprir as suas necessidades de funcionamento. A Assembleia é a casa do povo; e se a casa do povo for frágil, não terá onde guardar, muito menos fazer a defesa dessa mesma sociedade", disse o vice-presidente da Assembleia, deputado Antonio Albuquerque (PTdoB).
Albuquerque foi indiciado em 2007 pela Polícia Federal (PF), sob acusação de desviar R$ 300 milhões da folha de pagamento do legislativo e de participar de um "consórcio de deputados" para matar o ex-cabo da Polícia Militar José Gonçalves em 1996. Ele foi preso em 2009 e o processo tramita na Justiça.
Os aumentos dos deputados seguiram o efeito cascata dos reajustes aprovados pelo Congresso em janeiro para os parlamentares, presidente e ministros. Em janeiro, o governador aumentou em 135% os rendimentos dos secretários.