A quadrilha presa nesta quinta-feira pela Polícia Federal em São Paulo, acusada de clonar cartões bancários, lesou ao menos 10 mil clientes de vários bancos nos últimos dois anos.
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De acordo com o delegado Osvaldo Scalezi, responsável pelas investigações, o grupo "trabalhava como uma empresa bem estruturada, cada um tinha uma função".
O esquema começava com a compra de máquinas de cartões adulteradas, que tem dispositivos que copiam os dados dos cartões durante as transações --os chamados "chupa-cabras". Cada uma valia entre R$ 5.000 a R$ 10 mil.
Criminosos se passavam por técnicos das empresas e, com falsas solicitações de manutenção, visitavam comerciantes e trocavam as máquinas normais por "infectadas", como são chamadas pela polícia. Os falsos técnicos cobravam até R$ 2.000 pelo serviço.
As máquinas, então, ficavam "trabalhando" para os criminosos, copiando e armazenando os dados e senhas de todos os cartões que passavam por ela, sem que comerciantes e clientes suspeitassem.
Após determinado tempo, o falso técnico voltava ao estabelecimento e trocava as máquinas novamente, para descarregar todos os dados copiados ilegalmente.
Durante a investigação, a PF conseguiu prender em flagrante duas pessoas, no momento em que trocavam as máquinas. Algumas adulterações mais sofisticadas incluíam um dispositivo wireless, que permite o envio dos dados para um laptop instalado próximo ao ponto comercial --deste modo, os criminosos evitavam a troca de máquinas.
O foco da quadrilha, segundo o delegado, eram os cartões de débito. Com eles, o grupo confeccionava clones e sacava dinheiro em caixas eletrônicos. Mas a quadrilha também lucrava com cartões de crédito e comprando equipamentos eletrônicos e joiais, revendidas para receptadores pela metade do preço.
A investigação apontou que, em alguns casos, comerciantes permitiam o uso dos cartões clonados em seus estabelecimentos, repassando dinheiro para os criminosos mediante pagamento de comissão.
De acordo com o delegado, a quantidade de dados clonados passou a ser tão grande que a quadrilha não conseguia mais fabricar tantos cartões, e passou a revender os dados para outros criminosos. O valor de cada lote de dados variava de acordo com o banco --bancos "prime", cujos clientes movimentam mais dinheiro, valiam mais.
CRACHÁ
O esquema começou a ser investigado pela PF há cinco meses, quando um comerciante desconfiou de um técnico. Ele questionou uma ordem de serviço para o reparo da máquina e disse que iria confirmar pelo telefone com a empresa. Assustado, o falso técnico fugiu, mas antes o comerciante conseguiu arrancar seu crachá --que também era falso.
Na operação desta quinta-feira, 11 pessoas foram presas e serão indiciadas sob suspeita de furto qualificado mediante fraude e formação de quadrilha. Ao todo, cerca de 15 máquinas adulteradas foram apreendidas, além de cartões clonados e impressoras de cartões.
A quadrilha atuava em todo o Estado de São Paulo, além de Ceará, Maranhão e Pernambuco. Mas os saques com cartões clonados era feito principalmente na Grande São Paulo e Baixada Fluminense.
A operação faz parte do projeto Tentáculos, parceria da PF com a Caixa Econômica Federal que monitora transações bancárias para evitar fraudes. A investigação aponta que entre 3.000 a 3.500 contas da Caixa foram alvo da quadrilha, mas clientes de quase todos os bancos foram lesados. O prejuízo, somente da Caixa, chega aos R$ 5 milhões.
De acordo com o delegado Scalezi, os cartões com chip eram os únicos que a quadrilha não conseguia clonar. Para evitar a fraude, ele alerta aos comerciantes para que sempre confirmem qualquer serviço nas máquinas com as empresas de cartões.
Para os consumidores, as adulterações são praticamente imperceptíveis. Mas o delegado afirma que ele deve desconfiar se a máquina estiver com a carcaça de plástico solta.